Senado instala CPI para investigar denúncias de espionagem a brasileiros

terça-feira, 3 de setembro de 2013 17:14 BRT
 

BRASÍLIA, 3 Set (Reuters) - O Senado instalou nesta terça-feira uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias de que uma agência norte-americana teria espionado dados eletrônicos, emails e telefonemas de cidadãos e empresas brasileiros - o que incluiria até mesmo as comunicações da presidente Dilma Rousseff.

A senadora Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM), autora do requerimento de criação da CPI, foi escolhida por aclamação a presidente da comissão e o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), também por consenso, foi indicado para relatar os trabalhos.

Os membros da CPI também aprovaram pedido para que a Polícia Federal proteja o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, do jornal britânico Guardian, e de seu companheiro, o brasileiro David Miranda. Greenwald revelou os documentos que mostraram atos de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) e mora no Rio de Janeiro com Miranda.

"As denúncias que foram até aqui feitas foram apenas a ponta do iceberg", disse Ferraço, ao relatar conversas informais que teve com Greenwald, responsável por publicar as denúncias de espionagem da NSA, reveladas em documentos vazados pelo ex-prestador de serviços da agência norte-americana Edward Snowden.

Snowden, a quem a Justiça dos Estados Unidos quer julgar por espionagem, obteve asilo temporário na Rússia numa decisão que abalou as relações entre Washington e Moscou.

"O biombo é o combate ao terrorismo. Mas efetivamente, o que ele (Greenwald) tem para revelar é que por trás dessas ações estão o interesse efetivo e objetivo em ações relacionadas a interesses empresariais, interesses industriais e até mesmo concorrências públicas de ordem global que o nosso país está na ante sala de realizar", acrescentou o relator da comissão.

Ferraço deu como exemplos o leilão da área de petróleo de Libra, a maior reserva petrolífera do Brasil segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), marcado para outubro, e a compra de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), que tem entre os concorrentes finalistas a fabricante norte-americana Boeing, com o caça F-18 Super Hornet.

A CPI terá pelo menos 180 dias para conduzir os trabalhos, que segundo a presidente da comissão, deverão ter como objetivos conhecer a fundo os dados já vazados e propor nova legislação para proteger cidadãos, empresas e o Estado brasileiro.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)