September 26, 2013 / 12:58 AM / 4 years ago

Mercado questiona postura do BC e dólar sobe 1,29% ante o real

4 Min, DE LEITURA

Por Bruno Federowski e Tiago Pariz

SÃO PAULO, 25 Set (Reuters) - O dólar fechou com a maior alta ante o real em quase um mês nesta quarta-feira, diante de dúvidas sobre o futuro das intervenções do Banco Central, com investidores especulando que a autoridade monetária poderá ser menos incisiva em suas atuações diárias no mercado de câmbio daqui para frente.

A moeda norte-americana subiu 1,29 por cento e fechou a 2,2296 reais na venda. É o maior avanço desde 26 de agosto, quando a alta também foi de 1,29 por cento. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,7 bilhão de dólares.

O BC vendeu nesta quarta-feira apenas 9.650 contratos de swap cambial tradicional --equivalentes a venda futura de dólares-- da oferta total de 10 mil contratos. É a primeira vez desde o lançamento do programa de intervenção diária no câmbio que a instituição não aceita todas as propostas.

"O BC deu um sinal ruim para o mercado. Embora ele não vá interromper o programa de atuações diárias, ele pode colocar algum impeditivo para evitar a colocação do lote todo", disse o especialista em câmbio da Icap Corretora, Italo dos Santos, ressaltando que havia demanda pelos instrumentos.

Alguns analistas interpretaram a decisão como um sinal de que o BC não está interessado em vender muitos swaps nos atuais níveis do câmbio, apesar das últimas declarações do presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, afirmando que o programa de intervenção está funcionando adequadamente e deve ser mantido.

O BC anunciou no fim de agosto, quando o dólar avançava fortemente ante o real diante da perspectiva de redução no estímulo monetário do banco central norte-americano, que atuaria diariamente nos mercados de câmbio até o fim do ano. Desde então, a divisa dos EUA reverteu a trajetória e passou a cair, acumulando queda de 8,32 por cento frente à moeda brasileira.

A depreciação do dólar ocorreu mesmo em um ambiente global de aversão a risco, que desviou recursos aplicados em economias emergentes para investimentos mais seguros. Segundo o BC, o Brasil registrou saída líquida de 3,261 bilhões de dólares em setembro até o dia 20.

"Não foi falta de demanda (pelos swaps). O apetite estava forte. Para a gente, foi um recado do BC de que ele não será mais tão agressivo na venda de (contratos que simulam a oferta de) dólares", disse um operador de um banco estrangeiro, que não quis ser identificado.

O fortalecimento do dólar nesta sessão também podia ser atribuído a fatores externos. Nesta quarta-feira, o Senado dos Estados Unidos vota uma controversa proposta para permitir que o governo continue funcionando após o fim do ano fiscal que se encerra em 30 de setembro, quando os orçamentos precisam ser renovados.

A ansiedade proveniente desse impasse elevava a cotação do dólar contra moedas emergentes. A divisa dos EUA avançava 0,39 por cento ante o peso mexicano, enquanto o dólar neozelandês perdia 0,40 por cento frente à moeda norte-americana.

A Casa Branca e o Congresso também negociam um aumento do teto da dívida norte-americana, medida necessária para evitar que o país dê calote em seus credores. Segundo o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, o país esgotará sua capacidade de emitir dívida em 17 de outubro.

"Está tendo uma preocupação em relação a elevação do teto da dívida norte-americana, o que leva a uma postura cautelosa por parte dos investidores, o que leva à desvalorização das moedas com perfil de maior risco", afirmou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.

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