2 de Outubro de 2013 / às 00:25 / 4 anos atrás

Marina mostra confiança em validação da Rede e diz que democracia não pode ser amesquinhada

SÃO PAULO, 1 Out (Reuters) - A ex-senadora Marina Silva procurou mostrar confiança nesta terça-feira na concessão de registro pelo Tribunal Superior Eleitoral para a Rede Sustentabilidade, partido que tenta criar com vistas às eleições do ano que vem, e disse que a democracia não pode ser “amesquinhada” nem ter dois pesos e duas medidas.

A confiança de Marina, que aparece como segunda colocada na preferência do eleitorado para a disputa presidencial de 2014, contrasta com o parecer do Ministério Público Eleitoral que, nesta terça, emitiu parecer contrário à concessão de registro para a nova legenda.

“Temos convicção de que se atendo aos autos, os senhores ministros votarão favorável a reconhecer as 95 mil assinaturas que foram encaminhadas e invalidadas injustamente pelos cartórios”, disse a ex-senadora a jornalistas em Brasília.

Marina mencionou por diversas vezes o que integrantes da Rede afirmam ser a rejeição sem justificativa de 95 mil assinaturas de apoio à criação da sigla. O partido em gestação afirma ter 440 mil assinaturas já validadas. São necessárias 492 mil assinaturas para viabilizar um partido.

“Se não fossem as invalidações injustas e por falta de parâmetro, teríamos mais de 550 mil assinaturas já reconhecidamente validadas”, disse Marina.

Marina, que disputou a eleição presidencial em 2010 pelo PV e terminou o primeiro turno em terceiro lugar com cerca de 20 milhões de votos, rebateu as críticas do Ministério Público Eleitoral, que afirmou em seu parecer que a criação de um partido visando as eleições apequenava e amesquinhava a nova legenda.

A ex-senadora disse que a Rede é um projeto político mais amplo e que a eleição faz parte desse processo, mas não é sua finalidade.

“Eu estou mais preocupada em não amesquinharmos a democracia, porque a democracia plena assegura o pluralismo político e é isso que nós estamos lutando para que aconteça em relação ao pensamento político que representamos.”

Marina voltou a negar que esteja estudando alternativas para o caso de a Rede não receber registro do TSE. “Estamos focados no plano A e aguardando a decisão da Justiça”, garantiu.

Apesar de a ex-senadora afirmar estar focada na criação da Rede, o presidente do Partido Ecológico Nacional (PEN), Adilson Barroso, chegou a Brasília nesta terça e disse que buscará marcar uma reunião com Marina para convidá-la a entrar na legenda para se candidatar à Presidência.

Barroso admite, inclusive, mudar o nome da legenda para atrair Marina para os quadros do partido.

“Com o PEN ela (Marina) pode fazer dele uma Rede, pode fazer com ele tudo o que ela quiser para ser candidata a presidente da República. Nós somos admiradores dela”, disse ele à Reuters por telefone.

O TSE deve julgar ainda nesta semana, no máximo até quinta-feira, o pedido de registro da Rede.

O partido precisa ser criado até 5 de outubro para estar apto para as eleições do ano que vem. Caso a Rede não consiga registro junto à Justiça Eleitoral, Marina também precisa se filiar a algum partido até sábado ser quiser disputar a eleição.

Reportagem de Eduardo Simões

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