6 de Outubro de 2013 / às 15:44 / 4 anos atrás

Marina Silva deixa para sábado decisão sobre futuro político

A ex-senadora Marina Silva concede entrevista em Brasília nesta sexta-feira. Ela ainda não decidiu sobre uma eventual filiação a um partido para disputar a Presidência da República no ano que vem. REUTERS/Ueslei Marcelino

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA, 4 Out (Reuters) - A ex-senadora Marina Silva ainda não decidiu sobre uma eventual filiação a um partido para disputar a Presidência da República no ano que vem, depois de ver naufragar o projeto da sua Rede Sustentabilidade, mas afirmou nesta sexta-feira que anunciará sua decisão no sábado, quando se encerra o prazo para escolha de uma legenda para as eleições do ano que vem.

O anúncio de Marina, que era esperado para esta sexta, tem peso na dinâmica das eleições em 2014. A ex-senadora atualmente detém o segundo lugar nas recentes pesquisas de intenção de voto e, caso se candidate, pode levar a disputa presidencial a um segundo turno, o que seria desfavorável para a presidente Dilma Rousseff.

“Ainda tenho uma longa noite e um dia, então estou no processo decisório”, disse a ex-senadora, que convocou uma entrevista coletiva no dia seguinte ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitar o pedido de registro do partido que ela tentava criar com vistas às eleições do ano que vem.

Após a decisão do TSE por seis votos a um, PPS, PEN e PTB ofereceram suas legendas para que Marina dispute a Presidência em 2014.

“As minhas decisões serão programáticas, todas. Não terão caráter pragmático”, afirmou Marina ao afirmar que ainda não havia tomado nenhuma decisão.

Ex-ministra do Meio Ambiente no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e depositária de quase 20 milhões de votos nas eleições de 2010, Marina afirmou que a definição de seu rumo político depende de conversas com os integrantes da Rede e se dará por meio do “consenso progressivo”.

DESGASTE

As recentes pesquisas de intenção de voto situam a ex-senadora atrás da presidente Dilma Rousseff e à frente do presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e do presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

A presença de Marina no jogo presidencial, segundo analistas, pode acabar com a polarização entre PT e PSDB, que domina as disputas ao Palácio do Planalto desde 1994.

O ingresso de Marina na disputa presidencial por outro partido pode, por outro lado, reduzir sua força política na avaliação de outros analistas ouvidos pela Reuters.

Para eles, a ex-senadora deve sofrer um desgaste inevitável caso decida se candidatar por outra legenda, depois de buscar a criação da Rede calcada no discurso de um “novo jeito” de fazer política.

“Sem o partido (a Rede Sustentabilidade), ela entra num partido pequeno. Isso vai tirar boa quantidade de votos dela. Vai ser um pouco decepcionante (para seus apoiadores)”, disse o cientista político da Unicamp, Roberto Romano.

Entre os principais prováveis adversários de Marina em 2014 a análise é semelhante.

O líder do PSB na Câmara, deputado Beto Albuquerque (RS), disse que o impacto dela na disputa seria completamente diferente do que se ela concorresse pela Rede. “Se ela for por outro (partido) vai cair numa contradição grave. Ela volta a ser comum”, avaliou.

Reportagem adicional de Jeferson Ribeiro

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