5 de Outubro de 2013 / às 14:38 / em 4 anos

Marina Silva se filiará ao PSB, que anuncia "coligação" com Rede

A ex-senadora Marina Silva participa de uma sessão de votação no plenário do Supremo Tribunal Eleitoral para tentar obter registro para a criação do partido Rede Sustentabilidade, em Brasília. Marina vai se filiar ao PSB neste sábado, segundo disse à Reuters uma fonte do partido, acrescentando que ainda não há uma definição sobre qual o papel que ela terá na eventual chapa presidencial do partido no ano que vem. 3/10/2013.Ueslei Marcelino

Por Jeferson Ribeiro e Eduardo Simões

BRASÍLIA/SÃO PAULO, 5 Out (Reuters) - A ex-senadora Marina Silva vai se filiar ao PSB e o partido que ela buscava criar, a Rede Sustentabilidade, fará uma "coligação política e eleitoral" com os socialistas, informou o PSB neste sábado, acrescentando que a definição de uma eventual candidatura própria à Presidência em 2014 só será discutida no ano que vem.

Mais cedo, uma fonte do PSB já havia dito à Reuters que Marina se filiaria ao partido. Segundo essa fonte, as negociações entre Marina e PSB ocorreram durante a sexta-feira.

A filiação de Marina e a coligação entre PSB e Rede será anunciada em entrevista coletiva nesta tarde, com a presença do governador de Pernambuco e presidente da legenda, Eduardo Campos.

Marina tentava formalizar a Rede junto à Justiça Eleitoral antes do fim prazo para que políticos interessados em disputar as eleições do ano que vem se filiassem a um partido. O prazo se encerra neste sábado. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no entanto, rejeitou na última quinta-feira o pedido de registro da nova sigla.

Segundo o líder do PSB na Câmara, deputado Beto Albuquerque (RS), a ex-senadora mostrou "desprendimento" com sua decisão de se filiar ao PSB e "falou sobre a possibilidade de ser vice do Eduardo (Campos)".

Marina ocupa a segunda colocação nas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2014, enquanto Campos aparece na quarta posição na preferência do eleitorado.

Recentemente o PSB anunciou sua saída do governo da presidente Dilma Rousseff, abrindo caminho para uma candidatura própria do partido à Presidência da República.

Dilma lidera a corrida eleitoral do ano que vem à frente de Marina. O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), está na terceira posição, de acordo com as pesquisas.

Na avaliação do cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília, Campos deve ser o candidato presidencial do PSB mesmo com a chegada de Marina ao partido.

Ele avalia que a aliança entre a ex-senadora e o governador pernambucano pode ser "interessante" para muitos eleitores e forte o bastante para levar a corrida presidencial para um segundo turno.

ANTIGOS ALIADOS

A aliança entre Marina e Campos também coloca lado a lado na eleição do ano que vem duas figuras políticas com histórico de ligação com o PT.

Marina foi senadora pelo partido e ministra do Meio Ambiente no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Campos também foi ministro de Lula e o PSB apoiou o PT em cinco das seis eleições presidenciais disputadas desde a redemocratização do país. Somente em 2002 os socialistas não apoiaram o PT no primeiro turno, mas se juntaram aos petistas no segundo.

Após a rejeição da Rede pelo TSE, Marina vinha sendo assediada por outros partidos, que lhe ofereceram legenda para que disputasse a eleição presidencial do ano que vem. Entre eles o recém-criado PEN, o PPS e o PTB, que buscavam atrair o capital político da ex-senadora. Marina, que disputou a eleição presidencial em 2010 pelo PV, obteve quase 20 milhões.

Ela, no entanto, surpreendeu e fez a opção pelo PSB, sigla que tem Campos como provável candidato ao Palácio do Planalto, mas que também é melhor estruturada do que legendas menores que fizeram convites à ex-senadora.

Marina decidiu tentar a criação de uma nova legenda após a eleição de 2010, com o discurso de criar uma "nova política" e quebrar a polarização entre PT e PSDB, que domina o cenário político desde 1994.

A chegada dela em uma outra legenda que não a Rede pode, na avaliação de analistas, gerar algum desgaste à ex-senadora, já que esse movimento pode ser interpretado como contraditório ao discurso que levou à tentativa de fundar a Rede.

Reportagem adicional de Brian Winter, em São Paulo e Anthony Boadle, em Brasília

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