Aliados de Dilma questionam soma de eleitores de Marina-Campos; mas admitem risco à reeleição

segunda-feira, 7 de outubro de 2013 20:15 BRT
 

marina Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA, 7 Out (Reuters) - Ainda surpresos com a aliança entre a ex-senadora Marina Silva e o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, para as eleições presidenciais, aliados do governo questionam a eficácia da dobradinha em unir os dois eleitorados, mas admitem riscos à reeleição da presidente Dilma Rouseff.

A incerteza sobre esse cenário eleitoral também envolve o governo, e a orientação da presidente a seus assessores é que falem o menos possível sobre a nova aliança para evitar avaliações antecipadas. "Qualquer coisa que se fale agora é chute", disse nesta segunda-feira um auxiliar de Dilma à Reuters, que pediu anonimato.

Aliados da presidente no Congresso consideraram o anúncio da aliança um "gol de placa" de Campos. O governador é o quarto colocado nas pesquisas e conseguiu a adesão de Marina, que ocupa a segunda posição, e vinha sendo assediada por várias legendas para se candidatar à Presidência, depois da rejeição do registro pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de sua Rede Sustentabilidade.

Esses mesmos aliados, no entanto, não acreditam que a decisão dos dois signifique uma união imediata dos eleitores que vinham demonstrando apoio a um ou a outro nas pesquisas. Com cerca de 20 milhões de votos na última eleição presidencial, quando concorreu pelo PV, Marina anunciou no sábado sua filiação ao PSB e a aliança com Campos.

"Eu acho que esse rebanho da Marina vai se dividir em três partes. Uma parte fica com ela, outra vai para o Aécio e outro tanto vai para a Dilma", disse à Reuters o vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas (PT-PR).

Para o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), é preciso esperar as primeiras pesquisas com esse cenário para que tudo fique mais claro, mas ele já vislumbra problemas para manter o formato mais provável da aliança, com Campos na cabeça de chapa e Marina como vice.

"Se as pesquisas vierem com cenários considerando a Marina e ele (Campos) candidatos contra Dilma e Aécio e apontarem que ela continua à frente dele por muito tempo, pode ser que o Eduardo (Campos) comece a conviver com um fantasma ao lado", avaliou Braga.

O senador, aliás, aposta que um dos dois não vai figurar na chapa para dar espaço a outro partido ganhando mais tempo de TV. "Acho pouco provável uma chapa puro-sangue do PSB", disse.   Continuação...

 
Marina Silva e o governador de Pernambucano, Eduardo Campos, comemoram filiação da ex-senadora ao PSB, no sábado. REUTERS/Ueslei Marcelino