10 de Outubro de 2013 / às 00:45 / 4 anos atrás

Rede admite se descolar do projeto do PSB em disputas estaduais

BRASÍLIA, 9 Out (Reuters) - Apesar de ter firmado uma aliança programática com o PSB no sábado, os membros da Rede Sustentabilidade, movimento político comandado pela ex-senadora Marina Silva, disseram nesta quarta-feira que podem se descolar do projeto socialista em algumas disputas estaduais.

A Rede Sustentabilidade aderiu ao projeto do governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não concedeu o registro partidário para a Rede, o que permitiria a Marina Silva se candidatar à Presidência pelo partido que buscava criar.

Marina disse nesta quarta que os limites para a aliança com o PSB serão baseadas na “coerência programática” evitando, porém, apontar quais negociações específicas do PSB não poderiam ser levadas adiante para que ela e a Rede continuassem coligados a Campos.

“Estaremos juntos na coligação nacional (com o PSB), mas vamos analisar caso a caso nos Estados”, disse aos jornalistas o secretário de organização da Rede, Pedro Ivo.

Eles negaram, porém, que isso signifique que a Rede está usando a lógica idêntica dos demais partidos, que fazem alianças de acordo com as conveniências regionais.

“A coerência nos diz que nossas coligações serão programáticas. Ela será nos Estados a mesma coisa. Existirão alguns momentos em que poderemos caminhar juntos com o PSB e outros não”, disse Marina. “Somos partidos independentes”, acrescentou.

“Não estamos submetidos às decisões do PSB”, disse o secretário de organização da Rede.

A Rede reunirá sua comissão nacional no domingo, em Brasília, para discutir as diretrizes do aprofundamento e os desdobramentos da aliança com o PSB. Serão discutidos temas relacionados ao programa do partido e também às alianças estaduais.

VICE

Marina Silva reafirmou que não pretende abrir uma discussão interna dentro do PSB para decidir quem será o candidato à Presidência pelo partido.

“Só tem uma posição na chapa, do Eduardo, que está posta. E a Rede Sustentabilidade foi conversar com ele tratando isso como um fato”, afirmou.

No sábado, ao anunciar a aliança com Campos, Marina já havia dito que a candidatura de Campos já está posta e é legítima. A ex-senadora também declarou apoio à candidatura de Campos que, por sua vez, disse que uma decisão será tomada somente no ano que vem.

Marina aparece na segunda colocação nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência, atrás da presidente Dilma Rousseff e à frente do presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG).

Campos ocupa apenas a quarta posição, com menos de 10 por cento da preferência do eleitorado.

Marina afirmou ainda que os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva deixaram suas marcas depois de governarem o país e que a presidente Dilma Rousseff ainda não conseguiu imprimir a sua.

“A presidente Dilma manteve as conquistas do governo do presidente Lula e está manejando as dificuldades de manter as conquistas econômicas e espero que ela sinceramente consiga evitar que tenhamos retrocessos em relação à essa questão”, alfinetou a ex-senadora.

“O presidente Fernando Henrique ele tem uma marca, a estabilidade econômica. O presidente Lula tem uma marca, a inclusão social. A presidente Dilma precisa deixar a sua marca”, atacou Marina.

A ex-senadora comentou ainda que considera “antidemocrático” um projeto de lei aprovado no Senado na terça-feira que inibe a criação de novas legendas. Ela disse que agora a decisão de sancionar ou não a proposta está nas mãos de Dilma.

O projeto aprovado pelos senadores inibe a criação de partidos políticos ao impedir que o tempo de TV e o fundo partidário sejam transferidos por parlamentares ao migrarem para novas siglas.

Reportagem de Jeferson Ribeiro

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