Funeral do nazista Priebke é suspenso, e corpo é levado a base militar

quarta-feira, 16 de outubro de 2013 12:21 BRT
 

ROMA, 16 Out (Reuters) - O corpo do criminoso de guerra nazista Erich Priebke está na quarta-feira em uma base aérea perto de Roma, e seu destino é desconhecido, depois da suspensão do funeral por causa de protestos populares.

Priebke, ex-oficial da SS, morreu na semana passada em Roma, aos 100 anos, cumprindo pena de prisão perpétua domiciliar por seu envolvimento na morte de 335 civis em cavernas próximas a capital, em 1944, no que foi um dos piores massacres da Itália em tempos de guerra. O alemão nunca pediu perdão por seus atos.

O prefeito de Roma, Ignazio Marino, disse que as autoridades italianas agora podem pedir ajuda do governo alemão.

“Sei que as pessoas estão considerando quais decisões tomar, e não descarto contatos entre nosso governo e o governo da Alemanha”, afirmou o político centro-esquerdista à emissora estatal RAI.

Marino disse que o corpo chegou ao aeroporto militar de Pratica di Mare após deixar a localidade de Albano Laziale, onde confrontos entre manifestantes locais e visitantes neonazistas impediram o prosseguimento do funeral na terça-feira.

O pequeno grupo direitista Sociedade Católica de São Pio (SSPX) havia organizado o funeral apesar dos protestos dos moradores. Mas Paolo Giachini, advogado de Priebke, disse ao jornal Il Messagero que determinou a suspensão da cerimônia fúnebre por causa da chegada dos neonazistas, que desafiaram o acordo para que o funeral fosse privado.

Priebke comandava as tropas da SS que em março de 1944 executaram civis nas cavernas Ardeatinas, em retaliação pela morte de 33 soldados alemães por resistentes antifascistas.

Adolf Hitler havia ordenado que as forças de ocupação alemãs reagissem executando dez italianos para cada alemão morto. As vítimas foram retiradas de prisões, das ruas e das suas casas.

Depois da guerra, Priebke se refugiou na Argentina, mas foi deportado para a Itália depois de admitir a uma TV norte-americana que havia participado do massacre contra “terroristas”. Ele foi sentenciado à prisão perpétua pela Justiça italiana em 1998.

(Reportagem de James Mackenzie)