França intervém na República Centro-Africana, mas número de mortes aumenta

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013 21:43 BRST
 

Por Emmanuel Braun e Paul-Marin Ngoupana

BANGUI, 6 Dez (Reuters) - A França enviou às pressas tropas para a República Centro-Africana nesta sexta-feira, mas a violência entre milícias muçulmanas e cristãs continuava, resultando na matança disseminada de civis.

Centenas de soldados começaram a desembarcar vindos de países vizinhos, horas depois de o governo francês receber o aval da Organização das Nações Unidas (ONU) para enviar à República Centro-Africana uma missão que estabeleça a ordem.

Tropas francesas patrulhavam as principais vias e aviões militares faziam voos em baixa altitude sobre cidades.

Mas moradores e grupos de defesa de direitos humanos informaram que está havendo uma onda de assassinatos em bairros, mesmo depois de os grandes confrontos terem diminuído. A Cruz Vermelha afirmou ter recolhido 281 corpos em dois dias de violência na capital, Bangui, mas há muito mais pessoas que foram mortas.

A nação, ex-colônia francesa, mergulhou no caos desde que rebeldes do grupo Seleka, na maioria muçulmanos, tomaram o poder em março, o que desencadeou ataques de retaliação, já que membros da maioria cristã formaram a milícia anti-Balaka. A violência iniciada na quinta-feira foi a pior vista na capital desde o início da crise.

"Este horroroso ciclo de violência e retaliação tem de parar imediatamente", disse um porta-voz da ONU, citando casos de membros do Seleka e das milícias rivais anti-Balaka invadindo casas e matando adultos e crianças. "Os civis têm de ser protegidos."

Em Paris, o presidente francês, François Hollande, disse em um encontro de líderes africanos que a crise na República Centro-Africana provou ser uma necessidade urgente para o continente criar a sua própria força regional de segurança.

"A África tem de ser mestre de seu destino e isso significa comandar a própria segurança", disse ele.   Continuação...