França deve permitir véus e ensinar árabe nas escolas, diz relatório

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013 13:45 BRST
 

Por Gérard Bon

PARIS, 13 Dez (Reuters) - A França deve reverter décadas de estrito secularismo para integrar melhor a sua população de imigrantes, permitindo que muçulmanas usem o véu em escolas e promovendo o ensino do árabe, de acordo com um relatório encomendado pelo primeiro-ministro.

O documento, parte de uma revisão do governo sobre a política de integração, provocou forte reação de políticos opositores conservadores e desconforto entre os governistas socialistas.

O documento diz que França, com a maior população de muçulmanos da Europa, deve reconhecer a "dimensão árabe-oriental" da sua identidade e, por exemplo, mudar nomes de ruas e lugares, reformular currículos de história e criar um dia especial para homenagear a contribuição das culturas imigrantes.

Apesar de levantamentos relacionados a etnia serem oficialmente banidos, estima-se que 5 milhões de muçulmanos, a maior parte deles do norte da África, vivem na França.

O primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, que no mês que vem irá comandar uma reunião ministerial sobre como melhorar a integração, disse à imprensa que não há planos para derrubar a proibição do uso do véu e procurou se distanciar do relatório.

"O fato de eu ter recebido um relatório não o transforma em política do governo", afirmou ele, depois que o jornal Le Figaro chamou a atenção para o documento, que está disponível no site do premiê desde o mês passado.

Entre as recomendações feitas pelos especialistas estão proibir que autoridades e meios de comunicação façam referência a nacionalidade, religião e etnia das pessoas e a criação de um novo tipo de ofensa, o "assédio racial".

Eles também propuseram o ensino de árabe e de idiomas africanos nas escolas francesas.   Continuação...

 
Primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, durante audiência na Assembleia Nacional, em Paris. A França deve reverter décadas de estrito secularismo para integrar melhor a sua população de imigrantes, permitindo que muçulmanas usem o véu em escolas e promovendo o ensino do árabe, de acordo com um relatório encomendado pelo primeiro-ministro. 12/11/2013. REUTERS/Charles Platiau