ENFOQUE-Como a espionagem dos EUA custou à Boeing um contrato multibilionário

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013 18:36 BRST
 

Por Brian Winter

SÃO PAULO, 20 Dez (Reuters) - Dilma Rousseff estava completamente encantada. O Brasil se empenhava havia anos para decidir que empresa escolher para fechar um contrato de mais de 4 bilhões de dólares para a compra de jatos de combate, um dos negócios mais cobiçados da setor de defesa, e que iria definir as alianças estratégicas do país nas próximas décadas.

Mas Dilma, conhecida por ser às vezes áspera e arisca com líderes estrangeiros, ficou entusiasmada depois de um encontro de 90 minutos em Brasília em 31 de maio com o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

Depois de Biden dar garantias de que os Estados Unidos não iriam bloquear transferências cruciais de know-how tecnológico para o Brasil se comprasse os jatos, ela estava mais perto que nunca de escolher a Boeing, com sede em Chicago, para que fornecesse o seu modelo de combate F-18 Super Hornet.

"Ela está pronta para assinar na linha pontilhada", disse na época à Reuters um dos principais assessores de Dilma. "Isso deve ocorrer em breve."

E então surgiu Edward Snowden.

Documentos vazados pelo ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional (NSA), liberados nas semanas depois da visita de Biden ao Brasil, acabaram enfurecendo Dilma e mudando completamente os planos dela, disseram à Reuters várias autoridades em Brasília.

Na quarta-feira, ela surpreendeu o mundo diplomático e da defesa ao apontar a sueca Saab como fornecedora dos jatos, uma resolução que, segundo assessores, em parte foi tomada para deliberadamente esnobar os Estados Unidos.

A decisão foi uma das maiores e mais caras consequências das revelações sobre a NSA, as quais abalaram as relações de Washington com países de várias partes do mundo.   Continuação...