Centenas tentam fugir da República Centro-Africana em voos de emergência

sábado, 28 de dezembro de 2013 16:31 BRST
 

BANGUI, 28 Dez (Reuters) - Centenas de pessoas tentaram fugir da violência religiosa na República Centro-Africana para o vizinho Chade, a bordo de voos de emergência, no sábado, enquanto países próximos pediram auxílio para ajudar a resgatar seus cidadãos da crescente crise humanitária.

Atos de violência entre rebeldes muçulmanos Seleka, que tomaram o poder em março, e milícias cristãs mataram mais de mil pessoas esse mês na capital Bangui e desalojaram centenas de milhares de outras.

Os confrontos na ex-colônia francesa aumentaram nas últimas semanas, apesar da presença de 1.600 homens da tropa de paz francesa e quase 4 mil soldados da União Africana, enviados por determinação da ONU, para proteger os civis. Bangui estava calma no sábado.

As milícias ‘anti-balaka' têm alvejado os muçulmanos, que elas dizem que estão apoiando Seleka, durante meses de saques e assassinatos desde março. Com muitos atiradores Seleka vindo do Chade, seus cidadãos têm sido especialmente atacados, estimulando o governo a criar voos fretados essa semana, para trazê-los para casa.

No entanto, muitos daqueles que estavam esperando no calor no aeroporto de Bangui eram muçulmanos centro-africanos que disseram que estavam fugindo do seu país de maioria cristã por medo de represálias.

"Nunca vimos uma violência tão cruel como essa", disse Aishatou Abdelkarim, de 31 anos, que afirmou ser casada com um chadiano. "O diabo assumiu o controle do nosso país."

Nos primeiros cinco dias de voos, 2.743 pessoas foram levadas para a segurança em N'Djamena, de acordo com a Organização Internacional de Migrações. Entretanto, isso é apenas uma pequena fração, das centenas de milhares de chadianos que estão morando na Republica Centro-Africana, país sem saída para o mar.

Mais de 800 mil pessoas fugiram de suas casas durante a violência desse mês - com cerca de metade delas buscando refúgio em Bagui, segundo a ONU. Na sexta-feira, ela pediu 152 milhões de dólares para ajudar a cobrir despesas com necessidades humanitárias emergenciais, como água potável e saneamento nos acampamentos improvisados.

Vários milhares de pessoas buscaram segurança no aeroporto internacional, onde as forças de paz francesas têm uma base. Mulheres e crianças esperam ao lado de pilhas de malas e bolsas.

(Por Paul-Marin Ngoupana)