Líbia ordena que militares "liberem" portos tomados por rebeldes

segunda-feira, 10 de março de 2014 17:48 BRT
 

Por Ulf Laessing e Feras Bosalum

TRÍPOLI, 10 Mar (Reuters) - O Parlamento da Líbia ordenou que uma força especial seja enviada dentro de uma semana para "liberar" todos os portos tomados por rebeldes na volátil região leste do país, disseram autoridades nesta segunda-feira, aumentando a tensão a respeito de um bloqueio que interrompeu a vital receita do petróleo.

conflito pela riqueza do petróleo está aumentando os temores de que a Líbia possa mergulhar ainda mais fundo no caos e até se dividir, uma vez que o frágil governo não consegue conter as milícias que ajudaram a depor Muammar Gaddafi em 2011 mas agora desafiam a autoridade governamental.

Os rebeldes, que ocuparam três portos e controlam parcialmente um quarto do país-membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), disseram ter despachado forças para o centro da Líbia para lidar com qualquer ataque do governo.

Os dois lados parecem rumar para o confronto depois que um navio petroleiro com bandeira da Coreia do Norte foi carregado de petróleo no valor de 30 milhões de dólares no porto de Es Sider, de posse dos rebeldes, apesar de o governo ter ameaçado bombardear o navio.

As forças navais líbias cercaram o cargueiro do lado de fora do porto, disse um porta-voz da Marinha. Um porta-voz dos revoltosos negou o fato.

Mesmo sem qualquer grande ação militar, a escalada destrói qualquer esperança de restaurar as exportações de petróleo em breve. Uma onda de manifestações em campos de petróleo e portos reduziu drasticamente a produção e minou a autoridade do Estado, já que o petróleo é a principal fonte de renda sustentando o orçamento e a importação de alimentos básicos.

O líder do Parlamento, Nuri Ali Abu Sahmain, que tem poderes quase presidenciais, ordenou a formação de uma força composta de soldados regulares e milícias aliadas para retomar os portos, que anteriormente produziam um total de mais de 700 mil barris de petróleo por dia.

A operação irá começar em uma semana, disse Sahmain em um decreto publicado pelo porta-voz Omar Hmeidan. "A força será montada para liberar os portos e encerrar o bloqueio" disse Hmeidan à Reuters.

 
Funcionários da Waha Oil Company protestam contra a venda de petróleo a um navio com bandeira da Coreia do Norte no porto de Es Sider, em Trípoli. REUTERS/Ismail Zitouny