Lixo na baía de Guanabara ameaça manchar imagem do Rio na Olimpíada

quinta-feira, 13 de março de 2014 19:00 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 13 Mar (Reuters) - Palco das provas de vela dos Jogos Olímpicos de 2016, a baía de Guanabara está tão suja que, em determinados pontos, parece mais um esgoto a céu aberto do que o local que em cinco meses receberá o primeiro evento-teste oficial da Olimpíada do Rio de Janeiro.

Um passeio de barco pelas águas de um dos pontos turísticos mais famosos da cidade revela o tamanho do desafio que as autoridades e os organizadores terão pela frente para melhorar a situação a tempo para a Olimpíada.

De sofás e eletrodomésticos a incontáveis pedaços de madeira e sacos plásticos, há todo tipo de lixo, sem falar no odor do esgoto que se acumula nas margens.

"Os Jogos Olímpicos foram recebidos com uma grande expectativa pela oportunidade da recuperação desse passivo ambiental que está há décadas acumulado, mas, infelizmente, a dois anos dos Jogos, a situação praticamente continua a mesma", afirmou à Reuters TV o biólogo Mario Moscatelli, um dos principais ativistas da campanha pela despoluição da baía.

Na proposta de candidatura para organizar os Jogos Olímpicos, apresentada em 2009, o Rio dedicou um capítulo exclusivo ao legado ambiental que o evento deixaria para a cidade. Descrita como "um dos principais símbolos naturais do Rio", a baía de Guanabara seria alvo de um projeto de despoluição que estabeleceria "um novo patamar de preservação da qualidade das águas para as próximas gerações".

A realidade, no entanto, está bem distante disso.

Apesar dos 760 milhões de reais investidos de 1994 a 2006 na despoluição do local, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco Japonês para Cooperação Internacional (JBIC), há lixo boiando por toda parte e montanhas de entulho acumuladas nas margens.

O governo do Rio lançou um plano de ações com o objetivo de sanear 80 por cento da baía de Guanabara até 2016, mas o cenário ainda é desolador.

"Nós precisamos de pelo menos sete a oito unidades de tratamento nos principais rios que desembocam na baía", disse Moscatelli. Segundo ele, é preciso também evitar o despejo de resíduos diretamente na baía por parte dos moradores de favelas que margeiam o local.   Continuação...

 
Homem caminha próximo a lixo na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, local que receberá a Olimpída de 2016. Foto de 12 de março de 2014. REUTERS/Sergio Moraes