ANÁLISE-Luz vermelha no mercado automotivo do Brasil

sexta-feira, 14 de março de 2014 13:46 BRT
 

Por Brad Haynes

SÃO PAULO (Reuters) - O crescimento no mercado de veículos do Brasil entrou em ponto morto, mas é tarde demais para as montadoras pisarem no freio. Ao mesmo tempo que as vendas domésticas recuam e as exportações despencam, o setor está acrescentando mais de 1 milhão de veículos em nova capacidade em apenas alguns anos, o que deve impactar a lucratividade no quarto maior mercado automotivo do mundo.

Até 2017, as montadoras instaladas no país terão capacidade para montar 6 milhões de veículos ao ano no Brasil, apesar das vendas locais poderem enfrentar dificuldades para ultrapassar a marca de 4 milhões de unidades, dizem analistas, que culpam uma política industrial de ajuda exagerada ao setor e euforia demasiada com mercados emergentes.

"Todos entraram na onda", disse o analista Guido Vildozo, da IHS Automotive, citando ambições exageradas no Brasil depois que as vendas cresceram 10 por cento em média na década passada. As montadoras agora estão investindo cerca de 5 bilhões de dólares por ano em linhas de montagem locais justo quando o mercado começa a diminuir.

Os lucros foram a primeira vítima do aperto futuro e as relações trabalhistas podem ser a próxima, com o espectro de demissões chegando mais próximo em um ano de eleição presidencial. Uma corrida para os mercados de exportação ressalta também o abismo competitivo que separa as indústrias no Brasil e no rival regional, o México.

As fábricas mexicanas têm custos trabalhistas menores, acesso fácil a fornecedores dos Estados Unidos e 43 acordos de livre comércio, segundo Vildozo da IHS.

O Brasil tem apenas seis acordos bilaterais cobrindo o comércio de automóveis, incluindo quatro com vizinhos imediatos e a África do Sul. O comércio bilateral com o México vem sofrendo desde 2012, quando o Brasil impôs cotas bilaterais para interromper uma torrente de importações mexicanas.

"Será um processo doloroso, especialmente a negociação com os sindicatos, mas não esperamos que alguém feche as portas", disse Vildozo.

Há muito foco da política industrial brasileira, as montadoras de veículos estão em uma situação difícil precisamente por causa das proteções com que contam.   Continuação...

 
Carros novos parados na área de estoque da fábrica da montadora alemã Volkswagen em São Bernardo do Campo. O crescimento no mercado de veículos do Brasil entrou em ponto morto, mas é tarde demais para as montadoras pisarem no freio. Ao mesmo tempo que as vendas domésticas recuam e as exportações despencam, o setor está acrescentando mais de 1 milhão de veículos em nova capacidade em apenas alguns anos, o que deve impactar a lucratividade no quarto maior mercado automotivo do mundo. 02/03/2011 REUTERS/Paulo Whitaker