Investigador da ONU acusa Israel de "limpeza étnica" nos territórios ocupados

sexta-feira, 21 de março de 2014 20:57 BRT
 

Por Stephanie Nebehay

GENEBRA, Suíça, 21 Mar (Reuters) - Um investigador de direitos humanos da ONU acusou Israel nesta sexta-feira de "limpeza étnica" ao pressionar os palestinos para fora de Jerusalém Oriental e levantou dúvidas de que o governo israelense possa aceitar um Estado palestino considerando o clima atual.

Ele fez as declarações em meio a um cenário de estancamento das negociações de paz e aceleração da expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, áreas ocupadas por Israel, medida que diminui a esperança dos palestinos de estabelecerem um Estado viável em território contíguo.

Israel diz que a recusa palestina em reconhecê-lo como um Estado judaico é o principal obstáculo. Nesta semana, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pressionou o presidente palestino, Mahmoud Abbas, a ajudar a quebrar o impasse, dizendo que ambos os lados têm de assumir riscos políticos antes do prazo de 29 de abril para a definição das bases para o acordo.

O relator especial da Organização das Nações Unidas sobre os direitos humanos nos territórios palestinos, Richard Falk, disse em entrevista coletiva que as políticas israelenses têm "características inaceitáveis de colonialismo, apartheid e limpeza étnica".

"Cada incremento na ampliação dos assentamentos ou a cada incidente de demolição de casas é uma forma de agravamento da situação ao confrontar o povo palestino e reduzir as perspectivas que possam ter como resultado das supostas negociações de paz."

Questionado sobre a acusação de limpeza étnica, Falk disse que mais de 11.000 palestinos perderam o direito de viver em Jerusalém desde 1996 pelo fato de Israel impor leis de residência que favorecem os judeus e revogam autorizações de residência de palestinos.

"O 11.000 é apenas a ponta do iceberg porque muitos mais estão diante de possíveis objeções aos seus direitos de residência."

Isso agravou o "calvário dessa prolongada ocupação", afirmou Falk, especialista em direito internacional e professor emérito da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.   Continuação...