Forças policiais ocupam favelas da Maré sem violência

domingo, 30 de março de 2014 11:56 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 30 Mar (Reuters) - Em cerca de vinte minutos e sem nenhum disparo de arma de fogo, tropas militares do Rio de Janeiro, com apoio das Forças Armadas, ocuparam neste domingo o conjunto de favelas da Maré, na zona norte da cidade, local próximo a importantes vias expressas da capital fluminense e do aeroporto internacional da cidade.

A ocupação já havia sido anunciada na última sexta-feira e moradores das comunidades da Maré informaram que traficantes já tinham fugido. Por isso, não houve resistência à ocupação. Operações rotineiras já vinham sendo feitas pela Polícia Militar em algumas comunidades da Maré e um dos chefes do tráfico de drogas, conhecido como Menor P, foi preso na última quarta-feira.

Aproximadamente 1,5 mil militares foram empregados na dominação da Maré. Vinte e um blindados da Marinha deram apoio logístico e operacional à ocupação. "É um local estratégico para nós, uma cidade dentro da cidade e com a presença de traficantes durante anos", disse a jornalistas o secretário de segurança pública do Estado, José Mariano Beltrame.

O complexo da Maré reúne cerca de 15 favelas onde moram aproximadamente 130 mil pessoas. O conjunto de favelas é um dos locais mais perigosos da cidade e um importante entreposto de armas, drogas e munições.

Ali perto, passam vias expressas como Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela. Todas foram interditadas ainda de madrugada para a passagem das forças de segurança que entraram na Maré. O aeroporto internacional do Rio de Janeiro também fica a poucos quilômetros da comunidade.

Operações paralelas foram feitas pela PM do Rio em favelas do Rio de Janeiro e Grande Rio, onde foram apreendidos armas, drogas e suspeitos. Na Maré, também houve prisão de suspeitos e apreensão de drogas.

A ocupação do conjunto de favelas ocorre após uma onda de ataques de traficantes a policiais e bases de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em diversos pontos da cidade.

"Fomos provocados e intimidados nos últimos dois, três meses pelo poder paralelo em uma tentativa de enfraquecer uma política de segurança. É uma resposta que o povo do Rio de Janeiro e do Brasil reconhece", disse a jornalistas o Governador do Estado, Sérgio Cabral (PMDB).

A ideia do governo estadual é manter temporariamente os policiais militares na Maré por um tempo e depois transferir o controle da região às Forças Armadas, que devem permanecer no local até que a secretaria de segurança tenha efetivo suficiente para implantar uma UPP no complexo de favelas no segundo semestre.

Especula-se que o Exército entrará na Maré a partir da primeira semana de abril com ao menos 4 mil pessoas.

(Por Rodrigo Viga Gaier)