1 de Abril de 2014 / às 22:35 / 3 anos atrás

Abbas assina convenções internacionais; Kerry cancela visita ao Oriente Médio

Por Ali Sawafta e Noah Browning

RAMALLAH, Cisjordânia, 1 Abr (Reuters) - O presidente palestino, Mahmoud Abbas, assinou mais de uma dezena de convenções internacionais nesta terça-feira e expressou irritação com a demora de Israel em libertar prisioneiros, uma decisão que vem prejudicando os esforços dos Estados Unidos de salvar as frágeis conversações de paz.

A inesperada iniciativa tinha como objetivo solidificar a posição dos palestinos em organismos mundiais, desafiando Israel e os EUA, que há muito tempo se opõem a esse tipo de ação unilateral.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, anunciou imediatamente que estava cancelando uma viagem para a região na quarta-feira, a qual o governo dos EUA esperava que resultaria em um acordo tripartite para estender as negociações até 2015.

"Este é um momento para estar firme e com os olhos realmente abertos sobre este processo", disse Kerry a repórteres em Bruxelas, na Bélgica, onde participou de uma reunião ministerial da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"É completamente prematuro nesta noite fazer qualquer tipo de avaliação, e certamente qualquer julgamento final, sobre os acontecimentos de hoje (terça-feira) e onde as coisas se situam", disse ele, deixando claro que iria prosseguir com os seus esforços para acabar com o conflito do Oriente Médio, que atravessa gerações.

"Nós continuamos envolvidos, mesmo agora, enquanto falo, com ambas as partes para encontrar o melhor caminho a seguir."

Abbas havia se comprometido a não buscar a adesão dos territórios palestinos a instâncias mundiais durante as negociações mediadas pelos EUA, programadas para seguirem adiante até o fim de abril, mas até agora houve poucos avanços aparentes.

Israel havia prometido, em troca, libertar mais de 100 presos até o fim de março, mas não soltou o grupo final, alegando querer garantias de que os palestinos prosseguirão com as negociações depois do prazo final de 29 de abril.

Kerry fez uma visita não programada a Jerusalém na segunda-feira na tentativa de superar o impasse, propondo um pacote complexo que incluiu a possível libertação de Jonathan Pollard, um espião israelense preso nos EUA na década de 1980, e centenas de palestinos detidos por Israel, bem como um possível congelamento parcial de obras nos assentamentos israelenses em território ocupado.

Ele tinha a esperança de chegar a um acordo na quarta-feira.

Pollard, cidadão dos EUA e ex-analista da Marinha, está cumprindo pena de prisão perpétua após ser condenado por espionar para Israel. Sua libertação antecipada seria um triunfo político para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e tornaria mais fácil para ele vender a ideia de libertação de mais prisioneiros palestinos a um público israelense cético.

Em seu discurso a líderes palestinos na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, Abbas deixou claro que não queria abandonar as negociações, mas criticou a demora de Israel em libertar prisioneiros.

"Nós não estamos fazendo isso contra os EUA, mas ainda não vejo outra forma para seguir em frente", afirmou Abbas, antes de assinar um pacote de papéis que autoridades palestinas disseram incluir 15 convenções de órgãos internacionais e da Organização das Nações Unidas (ONU).

Não foram divulgados detalhes precisos do que ele tinha assinado, mas uma autoridade palestina, Mohammed Shtayyeh, disse à Reuters que um dos documentos foi a Convenção de Genebra, que estabelece as normas de direito internacional para a guerra e ocupação.

A assinatura da convenção daria aos palestinos uma base mais forte para aderir ao Tribunal Penal Internacional e, eventualmente, apresentar queixas formais contra Israel pela continuidade da ocupação de terras confiscadas na guerra de 1967.

Israel e os EUA se opõem a qualquer iniciativa dos palestinos de aderirem a órgãos mundiais, dizendo que a única maneira pela qual eles podem obter um Estado soberano é por meio de negociações diretas. O Congresso norte-americano tomou medidas, no passado, para interromper a ajuda financeira aos palestinos quando eles se juntaram a agências internacionais.

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