Proposta de libertação de espião israelense levanta ira dos espiões dos EUA

terça-feira, 1 de abril de 2014 21:14 BRT
 

Por Mark Hosenball e Matt Spetalnick

WASHINGTON, 1 Abr (Reuters) - Uma proposta dos Estados Unidos de estudar a libertação de um espião israelense preso no país pegou muitos funcionários da inteligência norte-americana desprevenidos e vai enfrentar forte oposição se o governo do presidente Barack Obama decidir levá-la adiante, em uma tentativa de salvar as negociações de paz no Oriente Médio, disseram autoridades.

As negociações sobre o destino de Jonathan Pollard, ex-analista de inteligência naval cumprindo pena de prisão perpétua por espionagem, alimentaram profunda preocupação nas fileiras dos serviços de espionagem dos EUA que ainda se recuperam dos vazamentos orquestrados pelo ex-prestador de serviços de segurança nacional Edward Snowden.

Legisladores mais proeminentes, incluindo a senadora Dianne Feinstein, presidente do Comitê de Inteligência do Senado, fincaram posições nesta terça-feira igualmente hostis à ideia, que começou a tomar forma nesta semana em conversas entre o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

"Ele não deve ser libertado. Ele tem de cumprir plenamente", afirmou o senador republicano Mark Kirk, um reservista da Inteligência da Marinha, ao ser questionado sobre o destino de Pollard. "Espero que ele apodreça no inferno da cadeia por um longo tempo."

Embora a comunidade de inteligência venha desencorajando sucessivos governos a ceder aos apelos de Israel para a libertação de Pollard, o último impulso parece estar ganhando força.

Alguns veteranos de inteligência reconhecem em particular que, já que Pollard cumpriu quase três décadas na prisão e pode estar apto para obter liberdade condicional em novembro de 2015, desta vez pode ser mais difícil convencer o governo Obama a abandonar a ideia.

Mas cerca de meia dúzia de oficiais de inteligência, atuais e antigos, disseram à Reuters que se opõem fortemente à libertação antecipada de Pollard, argumentando que tal iniciativa seria uma traição à comunidade de inteligência, especialmente porque muitos acham que os Estados Unidos não estão recebendo o suficiente de Israel em troca.

As autoridades disseram que Pollard entregou a contatos israelenses o que um ex-funcionário descreveu como "malas" cheias de documentos altamente confidenciais, incluindo relatórios de inteligência operacional.   Continuação...