2 de Abril de 2014 / às 20:44 / 3 anos atrás

Chile avalia danos após forte terremoto e tsunami em região de mineração

Por Antonio De la Jara e Fabian Cambero

SANTIAGO, 2 Abr (Reuters) - O Chile tentava nesta quarta-feira voltar à normalidade depois que um violento terremoto em sua costa norte deixou pelo menos seis mortos e provocou a remoção de quase 1 milhão de pessoas da região, por medo de um tsunami que acabou sendo menos destrutivo do que o previsto.

A presidente Michelle Bachelet voou até Iquique, cidade portuária no extremo norte do Chile, para avaliar os danos e supervisionar os esforços para restabelecer serviços básicos como eletricidade e água, interrompidos pelo sismo.

Mais de 2.600 residências foram danificadas pelo tremor de magnitude 8,2 que estremeceu a região e deu origem a alertas de tsunami ao longo de todo o Pacífico latino-americano.

O terremoto não afetou de modo significativo a mineração, uma crucial fonte de receita para o Chile, maior produtor mundial de cobre.

Bachelet, que assumiu o poder há somente três semanas, presidiu uma reunião de um comitê de emergência em Iquique, uma das cidades mais afetadas pelo sismo.

"Foi exemplar, (o modo) de enfrentar um terremoto e um tsunami", disse a presidente socialista a jornalistas. "Deram-nos um grande exemplo a todos, de como se age em conjunto, seguindo o plano tal qual estava estabelecido."

Em Iquique, milhares de pessoas retornaram nesta quarta-feira a suas casas depois de passarem a noite expostas à intempérie em colinas e praças, por medo de que um tsunami provocasse a mesma devastação causada por um outro ocorrido há quatro anos, que deixou centenas de mortos e danos multimilionários no sul do Chile.

A televisão mostrou imagens de ruas bloqueadas por destroços. No porto de Iquique, pescadores verificavam os restos de centenas de pequenas embarcações destruídas pelas ondas violentas para avaliar o que poderiam recuperar.

"Perdemos tudo", disse com resignação o pescador José Valdés a uma televisão local. "Só pudemos reaproveitar o que restou da lancha."

O papa Francisco, a presidente Dilma Rousseff, os presidentes do Peru, Ollanta Humala, e da Argentina, Cristina Kirchner, foram alguns dos que expressaram solidariedade ao Chile depois do terremoto.

RECURSOS SEM RESTRIÇÕES

As autoridades ainda não calcularam o valor dos prejuízos, mas a declaração do estado de catástrofe na região permite ter acesso a fundos de emergência para reconstrução.

"Não há restrições no uso dos recursos para enfrentar a emergência", disse o ministro da Fazenda, Alberto Arenas.

A Marinha chilena retirou por volta das 6 horas (horário de Brasília) desta quarta-feira o alerta de tsunami que mantinha para a região norte e o centro do país desde que ocorreu o sismo, na noite de terça-feira.

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