EXCLUSIVO-Aécio diz que, se eleito, manterá política de reajuste do mínimo

quarta-feira, 2 de abril de 2014 22:13 BRT
 

Por Jeferson Ribeiro e Anthony Boadle

BRASÍLIA, 2 Abr (Reuters) - O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, considera que esta eleição traz a marca do sentimento de mudança e se coloca como uma transição "segura" para o Brasil, diante das dificuldades econômicas e da crise de confiança do mercado.

O senador mineiro aposta na experiência acumulada pela legenda no poder e garantiu, em sua primeira entrevista exclusiva neste ano, que manterá a atual política do salário mínimo, que os reajustes de gasolina terão de ser feitos de forma gradual, reforçados por um modelo de incentivo ao aumento da produção de etanol, e que restringirá os gastos públicos ao crescimento da economia.

Aécio, que tem se mantido atrás da presidente Dilma Rousseff nas pesquisas de intenção de voto, avalia que agora é a hora do combate político, de mostrar as fragilidades do atual governo, pois o sentimento de "fim do ciclo" será capitalizado no momento certo. Aos 54 anos, o ex-governador de Minas Gerais minimiza o fato de não ser muito conhecido pelo eleitorado e garante que após a Copa do Mundo as pesquisas passam a ser um fator importante.

Veja a seguir os principais trechos da entrevista à Reuters concedida nesta quarta-feira.

Reuters - Qual é a chave para vencer a eleição?

Aécio Neves - O que diferencia essas eleições das outras eleições é um claro sentimento de mudança. O dado relevante em pesquisas nesse momento é este, o que capta sentimentos e não o que capta intenção de voto com candidaturas ainda com níveis de conhecimento tão distintos entre elas. Isso passa a ter alguma importância após a exposição de todos os candidatos. Esse sentimento de mudança é absolutamente o oposto e inverso daquele que tínhamos em 2010, em que havia sentimento de continuidade, com a economia crescendo a 7,5 por cento, emprego crescendo 10 por cento, o presidente Lula com altíssima popularidade.

- E como o senhor vai fazer para capitalizar esse sentimento de mudança?

Aécio - Vou voltar a 2010, existia naquele momento o sentimento de continuidade, e a candidata do governo só foi vista como tal a partir de julho. Então, para ter um paralelo, a Dilma só vestiu o figurino da continuidade, a mãe do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a mulher do homem, a continuadora da obra do Lula, só foi passar o (José) Serra no final de julho, quando as pessoas passam a estar atentas ao processo eleitoral. Agora é hora do combate político, como nós estamos fazendo, da demonstração das fragilidades do governo, mas isso se transformar em ativo é só no final de julho. A economia está mostrando a absoluta crise que estamos vivendo e de incerteza em relação ao futuro. Na infraestrutura o Brasil patina e nos indicadores sociais paramos de avançar.   Continuação...

 
O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, concede entrevista coletiva em Brasília, em dezembro do ano passado. 18/12/2013 REUTERS/Ueslei Marcelino