Falhas na comunicação de Dilma e Petrobras alimentaram crise, dizem petistas

quarta-feira, 9 de abril de 2014 22:23 BRT
 

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA, 9 Abr (Reuters) - Não seria difícil para o PT e aliados explicarem a compra pela Petrobras da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, desde que o governo, a presidente Dilma Rousseff e a estatal não tivessem cometidos tantos erros de comunicação, avaliaram deputados e membros do PT à Reuters.

Essa avaliação ganhou força entre os deputados após o ex-presidente da Petrobras José Gabrielli ter dado explicações à bancada na Câmara dos Deputados na terça-feira.

O ex-dirigente apresentou valores detalhados dos gastos da Petrobras com o negócio e muniu os deputados petistas com argumentos para defender o governo no Congresso Nacional e enfrentar a provável Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Petrobras.

"Por falhas de comunicação da Petrobras e do governo essa história não está sendo contada corretamente. E ficam espalhando esses valores falsos da aquisição de Pasadena", disse à Reuters um petista que participou da reunião na terça-feira, pedindo para não ter seu nome revelado.

Em 2006, a Petrobras comprou 50 por cento da refinaria, que teria sido adquirida um ano antes pela Astra Oil por 42,5 milhões de dólares, por 360 milhões de dólares, incluindo 170 milhões de dólares em estoques. Em seguida, amargou uma batalha judicial com a parceira no projeto, e acabou desembolsando um total de cerca de 1,3 bilhão de dólares no negócio.

Gabrielli disse aos deputados que Petrobras pagou efetivamente 486 milhões de dólares por 100 por cento da refinaria, e não 1,3 bilhão de dólares.

Segundo os cálculos do ex-dirigente, devem ser excluídos do valor total desembolsado pela Petrobras 340 milhões de dólares gastos com a aquisição de estoques, que geraram lucro para a estatal; 202 milhões de dólares de gastos com o litígio judicial com a Astra Oil; e 156 milhões de dólares pagos a título de garantias bancárias para a operação cotidiana da refinaria.

Também não deveriam entrar no cálculo do valor do investimento, segundo Gabrielli, 150 milhões de dólares pagos em juros referentes ao período de litígio; 5 milhões de dólares em honorários advocatícios; e outros 44 milhões de dólares pagos pela estatal brasileira à Astra Oil nos ajustes finais do rompimento da sociedade.   Continuação...