14 de Abril de 2014 / às 18:53 / 4 anos atrás

PSB oficializa Campos candidato à Presidência com Marina como vice

Por Jeferson Ribeiro

O ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos conversa com a ex-senadora Marina Silva durante cerimônia para anunciar a candidatura deles a presidente e vice-presidente da República, respectivamente, nesta segunda-feira, em Brasília. 14/04/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino

BRASÍLIA, 14 Abr (Reuters) - O ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos lançou sua pré-candidatura à Presidência da República pelo PSB nesta segunda-feira, oficializando a ex-senadora Marina Silva como pré-candidata a vice-presidente, e disse que o país não precisa de um gerente e sim de um líder que construa o diálogo.

No evento do lançamento da chapa, realizado em Brasília, o PSB divulgou uma carta de princípios da pré-candidatura de Campos, que incluem ampliar os debates para elaborar o programa de governo e dar transparência e visibilidade às ações e à prestação de contas, entre outros pontos.

“Precisamos deixar claro nesse debate que o Brasil, mais do que um gerente, o Brasil quer uma liderança, uma liderança que construa o diálogo, que respeite os diferentes, que marque os encontros e não os desencontros, que não amesquinhe o Brasil, que não reduzam o país a um partido”, disse Campos para uma plateia de correligionários.

O lançamento das pré-candidaturas, que deverão ser confirmadas em convenção partidária em junho, deve ajudar os eleitores a saber que Campos e Marina estarão juntos na corrida eleitoral à Presidência da República. O PPS e o PPL já manifestaram apoio à chapa socialista.

A principal aposta do PSB é que os cerca de 20 milhões de eleitores que votaram em Marina na disputa presidencial de 2010 ainda estejam dispostos a apoiá-la, mesmo como vice de Campos, permitindo, assim, que ele chegue ao segundo turno da eleição.

Campos e Marina adotaram um discurso de alternativa ao PT e ao PSDB, partidos que têm ocupado a Presidência da República nos últimos 19 anos.

Os dois pré-candidatos, que foram ministros durante o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, centraram suas críticas na presidente Dilma Rousseff, poupando palavras ácidas contra o ex-chefe e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

“O Brasil foi perdendo seu rumo estratégico, foi perdendo seus fundamentos macroeconômicos, o Brasil foi perdendo na inclusão social”, disse Campos. “A gente viu que esse processo nos conduziu ao cabo de três anos a um diagnóstico que é voz corrente no país. O Brasil parou”, afirmou.

Segundo Campos, o Brasil enfrenta problemas com a economia que são decorrentes fundamentalmente da falta de “confiança, de credibilidade, de rumo estratégico, de atitude, de capacidade do mundo saber que o Brasil tem um modelo”, argumentou.

“Tem muita gente escondendo os problemas do Brasil para que passe a eleição e os problemas estourem... tem muita gente botando para debaixo do tapete no Brasil um bocado de problemas”, atacou o ex-governador.

Marina chegou a citar Lula no discurso para dizer que aprendeu a fazer política com o petista e disse o que os socialistas mais esperavam nos últimos meses, que será vice de Campos.

“Hoje estamos transformando a nossa aliança programática em uma aliança eleitoral... a semente está pronta para germinar”, afirmou a ex-senadora.

Marina se filiou ao PSB em outubro do ano passado, depois de não ter cumprido os requisitos legais para criar o seu partido, a Rede Sustentabilidade, um movimento que surpreendeu a cena política e deu musculatura para que Campos levasse adiante seu projeto eleitoral.

À época e ainda hoje, quando colocada como candidata do PSB, Marina apresenta melhor desempenho que o ex-governador pernambucano nas pesquisas eleitorais. Apesar disso e da pressão de seus apoiadores, os chamados “marineiros”, a ex-senadora não pressionou Campos para encabeçar a chapa.

PETROBRAS

Aproveitando as dificuldades políticas que o governo vem sofrendo com a sequência de denúncias de irregularidades na Petrobras, Campos elevou as críticas à gestão petista.

“Não vamos permitir que a Petrobras se transforme em caso de polícia”, disse o pré-candidato socialista. “Um país como esse não pode ver uma empresa como a Petrobras, que em 2010 valia 458 bilhões (de reais) e em três anos chegou a 185 bilhões (de reais) e as pessoas acharem que não houve nada de mais.”

Mais cedo, em Pernambuco, Dilma fez pela primeira vez uma defesa pública veemente do governo e da estatal depois das recentes denúncias.

“Como presidenta, mas sobretudo como brasileira, eu defenderei em quaisquer circunstâncias e com todas as minhas forças a Petrobras”, disse em cerimônia de batismo e viagem inaugural de navios petroleiros em Ipojuca (PE). “Mas, igualmente, não ouvirei calada a campanha negativa dos que, por proveito político, não hesitam em ferir a imagem desta empresa”, disse.

No Congresso Nacional, a oposição tenta instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de suposto superfaturamento na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos; suspeitas de pagamento de propina a funcionários da Petrobras por uma empresa holandesa; e de ativação de plataformas de exploração de petróleo sem todas as condições de segurança, entre outros pontos.

Dilma disse ainda que estão errados os que apontam para uma desvalorização e perda de importância da Petrobras, afirmando que haveria uma deliberada distorção de informações conjunturais de mercado, com o objetivo de denegrir a imagem da empresa.

“Manipulam dados, distorcem análises, desconhecem deliberadamente a realidade do mercado mundial de petróleo para transformar eventuais problemas conjunturais de mercado em supostos fatos irreversíveis e definitivos”, disse a presidente.

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