Ex-diretor da Petrobras diz não ter enganado Dilma sobre Pasadena

quarta-feira, 16 de abril de 2014 18:59 BRT
 

BRASÍLIA, 16 Abr (Reuters) - O ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró, peça chave na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, disse nesta quarta-feira em depoimento na Câmara dos Deputados que não considera ter enganado a presidente Dilma Rousseff, em 2006, sobre o negócio.

Dilma, que comandava o Conselho da Administração da estatal quando a aquisição foi aprovada, afirmou recentemente que, se tivesse conhecimento de todas as informações sobre o contrato de compra da refinaria, não teria aprovado o negócio.

Cerveró disse que a Diretoria Executiva da Petrobras, na época presidida por José Sergio Gabrielli, recebeu todas as informações sobre a negociação da refinaria, mesmo que determinadas cláusulas não constassem no resumo executivo submetido ao Conselho de Administração.

"A diretoria, quando aprova a documentação, ela depois é encaminhada ao Conselho pela diretoria, não sou eu", disse o ex-diretor, em longa audiência pública conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle, de Finanças e Tributação, e de Desenvolvimento Econômico da Câmara.

A atual presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse em depoimento no Senado, na véspera, que o Conselho da estatal aprovou inicialmente a compra de 50 por cento da refinaria baseado em resumo executivo e avaliação da diretoria executiva, sem saber que havia uma cláusula de opção de venda, que obrigava a estatal a adquirir eventualmente os 50 por cento restantes da parceira belga Astra Oil.

Cerveró minimizou a importância para o negócio das cláusulas que Dilma disse não ter visto no resumo executivo entregue ao Conselho.

"Na avaliação que nós fizemos, essas cláusulas não têm representatividade no negócio... Não era importante do ponto de vista negocial, do ponto de vista da valorização do negócio, nenhuma cláusula nem outra", disse ele, referindo-se à opção de venda e à chamada cláusula Marlim, que garantia à Astra uma remuneração adicional dependendo do petróleo refinado.

Após a Astra exercer a opção de venda de sua fatia de 50 por cento, a Petrobras acabou pagando bem mais do que os 360 milhões de dólares desembolsados inicialmente pela primeira metade da unidade. Ao todo, a Petrobras desembolsou 1,25 bilhão de dólares por Pasadena, após uma batalha em câmaras arbitrais.

"Não houve nenhuma intenção de enganar ninguém... A posição não é só minha. A posição (sobre o negócio) é da direção e do Conselho que aprovou esse projeto... Foi tudo baseado numa série de consultorias e trabalhos, ao longo de mais de um ano", afirmou.   Continuação...

 
O ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró participa de uma audiência na Câmara dos Deputados, em Brasília, nesta quarta-feira. 16/04/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino