Corpos de crianças revelam desespero em naufrágio sul-coreano

quarta-feira, 23 de abril de 2014 10:49 BRT
 

Por Jungmin Jang e Ju-min Park

MOKPO/SEUL, 23 Abr (Reuters) - Mergulhadores sul-coreanos entraram nesta quarta-feira nas águas escuras e frias que invadiram a balsa naufragada na semana passada, tateando cabines, corredores e conveses em busca de corpos de centenas de desaparecidos, inclusive muitas crianças.

Os mergulhadores só conseguem enxergar alguns centímetros à frente do rosto. Dos 476 passageiros e tripulantes a bordo da balsa, 339 eram crianças e professores numa excursão escolar. Apenas 174 pessoas foram resgatadas do naufrágio, e as demais supostamente se afogaram.

A maioria dos corpos encontrados nos últimos dois dias tinha dedos quebrados, provavelmente pisoteados por crianças que buscavam freneticamente escalar paredes e portas para fugir, segundo a imprensa.

"Somos treinados para ambientes hostis, mas é difícil manter a bravura quando encontramos corpos na água escura", disse à Reuters o mergulhador Hwang Dae-sik, enquanto 25 alunos que morreram na tragédia eram sepultados nos arredores de Seul.

Os mergulhadores trabalham carregando dutos de oxigênio e linhas de comunicação. Eles conseguem passar cerca de uma hora submersos a cada vez, desde que os dutos de oxigênio não enrosquem em cantos da embarcação. Usando os tanques de oxigênio nas costas, a autonomia é de apenas 20 minutos.

A balsa naufragou na quarta-feira passada, após fazer uma curva repentina e adernar, no trajeto entre a cidade portuária de Incheon e a ilha turística de Jeju. Na quarta-feira, o número confirmado de mortes chegava a 150, sendo que muitas vítimas foram achadas na popa do navio.

O capitão da embarcação, Lee Joon-seok, de 69 anos, e outros tripulantes foram detidos sob suspeita de negligência.

Paralelamente, promotores que investigam o acidente fizeram buscas na casa de Yoo Byung-un, chefe da família proprietária da empresa Chonghaejin Marine, que operava a balsa Sewol.   Continuação...