Anfavea quer ampliar prazo de afastamento temporário de trabalhadores

quarta-feira, 23 de abril de 2014 20:19 BRT
 

BRASÍLIA, 23 Abr (Reuters) - O setor automotivo brasileiro quer que o período de afastamento temporário dos trabalhadores no Brasil seja ampliado para mais de cinco meses em períodos de baixo crescimento econômico, disse o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, nesta quarta-feira.

Atualmente, o afastamento de trabalhadores é limitado a cinco meses, com os salários pagos conjuntamente pelas empresas e pelo sistema governamental do seguro-desemprego.

"A economia, não só a brasileira mas em geral, passa por momentos positivos e de ciclos negativos, e achamos que o Brasil precisa ter proteção aos empregados pensando nesses ciclos", disse Moan a jornalistas após encontro com o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland.

Moan disse que o tema está sendo tratado entre montadoras e centrais sindicais e que ainda não foi levado ao governo. Se permitida, a extensão do prazo de afastamento temporário de trabalhadores não seria restrito às montadoras.

O interesse das montadoras pela extensão do prazo ganhou força diante da queda nas vendas de automóveis, diminuição das exportações de veículos para países como a Argentina e consequente aumento dos estoques nos pátios.

Em março, conforme dados apresentados pela Anfavea, o licenciamento de veículos foi de 240,8 mil unidades, com retração de 15,2 por cento em comparação a março de 2013 e de 7,1 por cento frente a fevereiro.

"A ideia é mantermos os empregos o máximo possível", disse.

Questionado sobre o posicionamento das montadoras em relação à instalação de rastreadores nos veículos fabricados no país, Moan disse que o setor considera que a tecnologia está defasada.

"Há decisão da justiça federal dizendo que aquela medida que obriga a adoção do rastreador é inconstitucional. Hoje não poderíamos colocar, mesmo se quiséssemos."

(Por Luciana Otoni)