9 de Maio de 2014 / às 16:13 / em 3 anos

Campos diz que governo não pode mentir sobre setor energético de olho na eleição

O pré-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, concede entrevista à Reuters no mês de abril, em São Paulo. Nesta sexta-feira, Campos cobrou responsabilidade do governo federal e disse que o Executivo não pode mentir sobre setor energético. 17/04/2014 REUTERS/Nacho Doce

SÃO PAULO, 9 Mai (Reuters) - O pré-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, cobrou responsabilidade do governo federal nesta sexta-feira e disse que o Executivo não pode mentir à população sobre a real situação do setor energético para priorizar seus objetivos eleitorais.

Em entrevista coletiva no intervalo de um encontro com membro da coligação PSB-Rede-PPS-PPL para discutir questões energéticas, Campos disse que o setor vive seu pior momento na história, pior inclusive que no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e citou cálculos que apontam 46 por cento de risco de racionamento de energia.

“É quase como jogar um cara-e-coroa”, criticou o presidenciável socialista, que responsabilizou diretamente a presidente Dilma Rousseff pela situação.

“Quem conduz essa política há 12 anos? A sua excelência a presidente da República”, disse, numa referência ao período em que Dilma foi ministra de Minas e Energia e ministra-chefe da Casa Civil.

O ex-governador disse que o governo federal endividou as famílias sem o consentimento delas ao postergar o aumento das tarifas de energia, numa referência ao uso de recursos do Tesouro para reduzir as tarifas energéticas. Ele também criticou a situação do setor de etanol e da Petrobras.

Campos aproveitou também para criticar a gestão do setor elétrico no período de governo do PSDB. “Os dois erraram”, disse.

“Hoje é o sujo falando do mal lavado. A crítica que o PSDB faz hoje é a mesma que o PT fazia em 2001”, disse.

O ex-governador de Pernambuco também respondeu a críticas feitas por Dilma, que afirmou que a defesa que Campos faria de uma meta de inflação de 3 por cento ao ano geraria perdas sociais e aumento do desemprego.

Campos esclareceu que defende o cumprimento do centro da meta atual, que é de 4,5 por cento ao ano, para futuramente, em 2019, discutir a redução do centro desta meta como, segundo ele, foi feito em países vizinhos como o Chile.

Atualmente, a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está perto do teto da meta, de 6,5 por cento.

Segundo Campos, mesmo esse índice é artificial, por conta do controle exercido pelo governo sobre os preços administrados.

“O que corrói conquistas sociais é inflação em alta”, disse.

“A partir de 1º de janeiro ela (Dilma) ela vai ver como se atinge o centro da meta sem afetar o emprego”, alfinetou.

PESQUISAS: OTIMISMO

O socialista também comentou a pesquisa do instituto Datafolha, que o coloca na terceira posição com 11 por cento das intenções de voto.

Segundo Campos, o fato de o levantamento apontar que 25 por cento do eleitorado o conhece é um bom sinal e indicou esperar aumentar sua intenção de voto com o início da campanha eleitoral em rádio e TV.

“O ponto que todas as pesquisas têm apresentado... é que passo a passo o desejo de mudança só vai se ampliando”, avaliou.

“Eu vejo as pesquisas neste instante com muito otimismo.”

Ao lado de sua pré-candidata a vice, a ex-senadora Marina Silva, Campos lembrou da trajetória da aliada na eleição de 2010, quando ela terminou o primeiro turno com 20 por cento dos votos.

“Nunca tive dúvida de que essa eleição será em dois turnos e está completamente aberta”, disse. “Nós vamos largar (no início da campanha em rádio e TV) do lugar onde ela (Marina) chegou”, afirmou.

Por Eduardo Simões

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