Governo reúne ministros para reforçar defesa da reforma da Previdência mas admite ajustes

segunda-feira, 20 de março de 2017 21:57 BRT
 

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - Na reta final das negociações sobre a reforma da Previdência na comissão especial na Câmara dos Deputados, o governo chamou os ministros --boa parte deles políticos com assentos no Congresso-- para entrar na defesa da proposta, evitando grandes modificações, mas abrindo espaço para alguns ajustes.

"O propósito foi justamente nivelar as informações, principalmente daqueles que têm mandato, visando o maior estreitamento na atuação desses ministros", disse o ministro da Educação, Mendonça Filho, em entrevista coletiva.

De acordo com o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), o Planalto trabalha para fechar uma proposta que atenda a maioria da base já na comissão, mas sem desfigurar a proposta.

"Queremos avançar para construir já na comissão a maioria", disse Ribeiro, que também estava na entrevista. "Uma PEC tem suas limitações regimentais, o ideal é construir já dentro do texto do relator, esse texto pactuado com a base do governo."

O governo tenta, desde a volta ao trabalho do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, diminuir as falas contrárias à reforma que surgem dentro da base aliada e unificar o discurso em defesa do projeto como está, abafando os discursos de que o texto "como está não passa", que é defendido por vários parlamentares da própria base.

"O presidente pediu que haja a atuação de todos os ministros, principalmente os com assento no Congresso, buscando o convencimento do Parlamento", disse o ministro. Mendonça Filho admite que dentro de todos os partidos há "um nível de resistência", mas que a maioria tem consciência de que a reforma é "inevitável".

O encontro, mais uma vez, tratou das dificuldades de comunicação do governo para convencer a população da necessidade de mudar a Previdência.

"Há a necessidade de melhorar o processo de comunicação, desfazer ruídos e enfatizar a necessidade fundamental para o país da aprovação da reforma", defendeu Mendonça Filho. "Para a sociedade deve ficar claro que a reforma é vital para que o Brasil volte a crescer."   Continuação...

 
Presidente Michel Temer e ministro Mendonça Filho
22/09/2016
REUTERS/Ueslei Marcelino