Delações da Odebrecht e Santana inauguram "nova onda" de pedidos de cooperação internacional ao MP

quinta-feira, 20 de abril de 2017 18:54 BRT
 

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - As delações de executivos da Odebrecht e do marqueteiro João Santana geraram uma "nova onda" de pedidos de cooperação internacional com o Ministério Público Federal, disseram integrantes do órgão brasileiro.

A colaboração da empreiteira brasileira abrirá novas frentes de investigação de irregularidades, principalmente na América Latina e na África. Serão dois eixos principais de apuração: de um lado, corrupção e fraudes em obras, pagamento de propina a servidores públicos e políticos; de outro, suspeitas de campanhas políticas feitas com caixa 2 e pagamento "por fora" de publicitários.

"A Odebrecht e outras empreiteiras brasileiras exportaram um modelo de construção eficiente, mas também exportando um modelo de corrupção, cimentando as vias da corrupção na América Latina e na África", disse o secretário de Cooperação Internacional da Procuradoria-Geral da República (PGR), Vladimir Aras.

No caso dos publicitários, o marqueteiro João Santana - responsável pelas campanhas dos petistas Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, e de Dilma Rousseff, em 2010 e 2014- já tem ajudado a esclarecer fatos sobre supostas irregularidades em campanhas em El Salvador, Peru e Chile após ter firmado um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal brasileiro.

Santana é beneficiado pelo chamado "princípio da especialidade": um réu colaborador, que entrega provas sobre irregularidades em outros países, ganha imunidade para não ser processado por crimes nessas localidades.

As investigações da operação Lava Jato, que extrapolaram as fronteiras brasileiras, levaram 24 países a apresentar 53 pedidos de informações à força-tarefa a fim de subsidiar apurações criminais de casos de corrupção, suborno e fraudes em licitações, segundo levantamento feito pelo Ministério Público Federal obtido pela Reuters.

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Marcelo Odebrecht durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito em Curitiba, no Brasil
01/09/2015
REUTERS/Rodolfo Buhrer