19 de Maio de 2017 / às 23:30 / 4 meses atrás

Joesley diz que abriu contas para Lula e Dilma no exterior que chegaram a US$150 mi

Ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff 03/10/2014 REUTERS/Nacho Doce

SÃO PAULO (Reuters) - Os depoimentos de Joesley Batista, um dos controladores da JBS, e do executivo do grupo Ricardo Saud apontam para pagamentos de vantagens indevidas de 50 milhões de dólares ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de 30 milhões de dólares à ex-presidente Dilma Rousseff, ambos em contas no exterior.

A informação foi dada pelos executivos da holding J&F, que controla a JBS, em acordo de delação premiada e constam do pedido de abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer, aceito pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

Também em depoimento no âmbito da delação, Joesley Batista, um dos controladores da JBS, afirma que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega nos governo Lula e Dilma era a pessoa com quem tratava de assuntos relacionadas a propinas para o PT.

O empresário afirma que abriu uma conta no exterior para a propina destinada a Lula e que o saldo dessa conta chegou a 70 milhões de dólares. Posteriormente, em 2011, quando Dilma chegou à Presidência, ele teve de abrir nova conta cujo saldo, de acordo com o empresário, bateu em 80 milhões de dólares.

Assim, de acordo com o delator, essas contas somadas chegaram a ter 150 milhões de dólares.

“Eu sempre pedia os extratos (dessas contas) e levava para o Guido”, disse o empresário em depoimento aos procuradores, no qual afirma que o então ministro lhe dizia que contava para Lula e Dilma sobre esses recursos.

Em nota, a assessoria de imprensa de Dilma Rousseff afirmou que a ex-presidente rejeita delações, segundo ela, sem provas e que “jamais tratou ou solicitou de qualquer empresário, nem de terceiros doações, pagamentos ou financiamentos ilegais para as campanhas eleitorais, tanto em 2010 quanto em 2014, fosse para si ou quaisquer outros candidatos”.

“Dilma Rousseff jamais teve contas no exterior. Nunca autorizou, em seu nome ou de terceiros, a abertura de empresas em paraísos fiscais. Reitera que jamais autorizou quaisquer outras pessoas a fazê-lo”, afirma a nota da petista.

Também em nota, os advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira, que representam Lula, disseram que as menções feitas por Joesley Batista ao ex-presidente “não decorrem de qualquer contato com o ex-presidente, mas sim de supostos diálogos com terceiros, que sequer foram comprovados”.

”A referência ao nome de Lula nesse cenário confirma denúncia já feita pela imprensa de que delações premiadas somente são aceitas pelo Ministério Público se fizerem referência - ainda que frivolamente - ao nome do ex-presidente.

Procurado, o advogado de Mantega não comentou as declarações do dono da JBS.

Por Eduardo Simões

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