Milionários e evangélicos se beneficiam de proibição de doações empresariais a campanhas

sexta-feira, 30 de setembro de 2016 14:43 BRT
 

Por Anthony Boadle

BRASÍLIA (Reuters) - A proibição de empresas doarem recursos para campanhas eleitorais, que tinha o objetivo de limpar a política brasileira em meio ao maior escândalo de corrupção no país em décadas, está, em vez disso, ajudando candidatos ricos ou apoiados por igrejas evangélicas a dominar as principais disputas nas eleições municipais de domingo.

Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre financiamento de campanhas eleitorais tomada no ano passado buscava acabar com os bilhões de reais que grandes empresas generosamente davam aos políticos, depois que as investigações de corrupção na Petrobras feitas pela operação Lava Jato gerou revolta com a relação íntima dos políticos com as empresas.

Apesar disso, às vésperas da eleição municipal de domingo, a primeira desde a proibição, as mudanças no financiamento de campanhas não nivelou o campo do jogo político como se pretendia.

“Acabar com as doações de dinheiro de empresas acabou favorecendo quem já é rico, favoreceu, na verdade, a candidatos com recursos próprios”, disse o ministro Gilmar Mendes, do STF, que atualmente preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Mendes disse à Reuters que grandes empresários estão fazendo doações agora em nome próprio, com retiradas de recursos de suas empresas.

“Estão aparecendo candidatos declarando muito mais receita própria do que antes, o que contraria a ideia de que o fim do financiamento de pessoas jurídicas favorece um tratamento mais equitativo.”

Preenchendo parte do espaço deixado pelo fim das doações de empresas, candidatos ricos podem, e doam, até 10 por cento de sua renda declarada para suas próprias campanhas.

Quase metade do financiamento do candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, João Doria, um milionário empresário que lidera a disputa na maior cidade do país, veio de seu próprio bolso, segundo dados do TSE. Ele colocou 2,94 milhões de reais em sua campanha.   Continuação...

 
Cartaz eleitoral com apoio de pastor evangélico a candidato a vereador em carro no Rio de Janeiro
29/09/2016 REUTERS/Sergio Moraes