Beltrame avalia como "desastrosa" ação que deixou menino baleado
RIO DE JANEIRO (Reuters) - Uma perseguição policial que resultou na morte cerebral de uma criança, de 3 anos, no Rio de Janeiro, foi considerada "desastrosa" nesta segunda-feira pelo secretário de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame.
Dois soldados da Polícia Militar teriam confundido, durante perseguição a um suposto carro roubado na Tijuca, zona norte da cidade, o carro em que estava o menino, um irmão de 9 meses e a mãe. O carro foi alvejado com 15 disparos na noite de domingo no bairro, cercado por 19 favelas, segundo a polícia.
"Eu entendo a ação dos policiais como desastrosa", disse Beltrame, em entrevista coletiva convocado para tratar sobre o incidente.
"A patrulha viu o carro (roubado), seguiu a perseguição, e fez essa confusão fazendo os disparos aparentemente contra o automóvel que não estava sendo perseguido", explicou o secretário.
Os dois policias que estavam na viatura envolvida na operação foram detidos administrativamente num batalhão policial, e a PM já iniciou inquérito para investigar o caso, de acordo com Beltrame.
A versão dos soldados, apresentada pelo secretário, é de que houve uma troca de tiros com os assaltantes, e que o carro da família teria ficado na linha de tiros.
O taxista Paulo Roberto Soares, pai do menino morto, negou que tenha havido tiroteio.
Segundo ele, a mulher disse que viu um carro preto passar em alta velocidade e parou para abrir caminho para a polícia. Mas a viatura policial estacionou diante de seu carro e abriu fogo contra o veículo, acertando um dos disparos na cabeça do menino, que teve a morte cerebral confirmada nesta segunda-feira pelo hospital Copa D'Or.
"Não houve troca de tiros, é mentira. A minha mulher jogou a bolsa da criança pela janela para mostrar que tinha criança. Mas eles não paravam de atirar. Eles não tiveram piedade, não tiveram pena. Que polícia é essa?", disse o taxista, chorando, em entrevista a jornalistas na porta do hospital. Continuação...

