Hospitais de guerra aliviam agonia causada pela dengue no Rio

segunda-feira, 31 de março de 2008 14:24 BRT
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O primeiro dia de operação dos hospitais de campanha das Forças Armadas nesta segunda-feira representou um alívio para a população do Rio de Janeiro, vítima de uma epidemia de dengue, que já matou mais de 50 pessoas desde o início do ano, e das longas filas para receber atendimento na rede pública de saúde.

Sem conseguir que a filha de 6 anos seja atendida desde o dia 18 de março, o comerciante Jorge Luiz Carvalho Alves precisou pegar um empréstimo para levar a criança a uma clínica particular no fim de semana.

Com o diagnóstico de dengue confirmado, mas sem condições financeiras de manter o tratamento particular, ele foi um dos primeiros a procurar o hospital de campanha da Aeronáutica, montado na Barra da Tijuca (zona Oeste), atrás de socorro.

"Aparentemente ela esta mal, e vai ser internada", disse o comerciante, de 51 anos, com os olhos marejados, após ver a filha ser levada para a UTI do hospital de campanha com diagnóstico de dengue hemorrágica.

"Vai morrer muita gente se for depender dos hospitais públicos, muita criança", acrescentou Alves, que contou ter passado por quatro hospitais públicos sem conseguir atendimento para a filha, até pegar o dinheiro emprestado.

Um hospital de campanha do Exército e outro da Marinha também começaram a operar nesta segunda-feira para dar suporte à rede pública de saúde, que tem sido insuficiente para atender o grande número de casos neste início de ano.

Até agora, 43.523 casos de dengue foram notificados oficialmente no Rio de Janeiro em 2008. Das 54 mortes já confirmadas como sendo em decorrência da dengue, metade delas é de crianças de 2 a 13 anos. Pelo menos outros 60 casos de pessoas que morreram com suspeita de dengue ainda estão sendo investigados.

A capital responde pela maioria dos óbitos estaduais, com 31 mortos. Em todo o ano passado, houve 31 mortes por dengue no Estado.  Continuação...

 
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