Esquerda no Fórum Social Mundial admite que é duro odiar Obama

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009 19:36 BRST
 

Por Stuart Grudgings

BELÉM (Reuters) - Figuras de um elenco multifacetado, que vai de freiras e anarquistas, os 100 mil ativistas reunidos em Belém para a nona edição do Fórum Social Mundial só concordam em uma coisa: é difícil odiar Barack Obama.

A primeira edição do evento, em janeiro de 2001, em Porto Alegre, praticamente coincidiu com o início do mandato presidente de George W. Bush, que desde então foi alvo constante para manifestações antiamericanas nos Fóruns Sociais Mundiais.

Mas desta vez, na semana seguinte à posse de Barack Obama como presidente dos EUA, o nível de antiamericanismo entre os participantes é notavelmente menor.

"As pessoas simplesmente vêm dizer: 'Ah, meu Deus, muito obrigado', ou levantam o polegar, coisas assim", disse o universitário norte- americano Chad Gray.

A guerra de Bush no Iraque e suas políticas domésticas fizeram do ex-presidente uma figura profundamente unificadora para a esquerda mundial. Fotos dele costumavam ser queimadas em manifestações das mais variadas, um tipo de protesto que parece mais improvável agora que Barack Obama se tornou o primeiro presidente negro da história dos EUA.

Muitos, na verdade, sentem a falta de Bush, que de tão impopular no mundo inteiro acabava ajudando os grupos radicais a atraírem militantes e a levarem gente para as ruas.

"Certamente isso vai representar uma dificuldade para o movimento", disse Altenir Santos, do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário), que distribuía panfletos e vendia camisetas com a foice-e-martelo na quarta-feira, primeiro dia depois da passeata de abertura do Fórum.

"As expectativas são elevadas, porque ele é uma pessoa nova, mas acreditamos que suas políticas serão as mesmas."  Continuação...

 
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