Bancos adotam Protocolo Verde, mas vantagem no crédito é incerta

sexta-feira, 3 de julho de 2009 15:40 BRT
 

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - A adesão dos grandes bancos privados do país ao Protocolo Verde, que vincula a concessão de crédito ao atendimento de critérios socioambientais, deve deixar sem rota de fuga os empresários que desconsiderarem essas práticas, segundo integrantes do setor bancário.

A concessão de taxas, prazos e outras condições mais favoráveis a tomadores com responsabilidade socioambiental é um dos pontos do protocolo, que já teve a adesão de bancos públicos federais.

"São os maiores bancos", afirmou o diretor de Relações Institucionais da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Mario Sergio Vasconcelos, ao se referir às instituições financeiras que aderiram ao protocolo, uma das bandeiras da gestão do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Segundo o diretor da Febraban, estão entre os bancos que já assumiram o pacto pesos-pesados do setor, como Itaú Unibanco, Santander Brasil, Bradesco e HSBC, entre outros.

E é justamente a presença dessas grandes instituições que dá à superintendente de desenvolvimento sustentável do Santander Brasil, Linda Murasawa, a segurança de que as exigências ambientais não se tornarão um agravante do atual momento de aperto do crédito nem uma desvantagem competitiva para os bancos que as adotarem.

"Praticamente você falar dos grandes bancos, você está falando de 80 por cento do mercado. O fato de o Protocolo (Verde) ser uma autorregulação do setor financeiro vai impedir que isso aconteça", disse.

Ela lembra, no entanto, que quando o Banco Real, que foi comprado pelo Santander, passou a adotar critérios ambientais na concessão de crédito, houve casos em que a instituição perdeu o cliente. "Em alguns momentos tornava-se desvantagem porque o cliente falava 'não, eu vou a outro banco porque vocês pedem muita coisa'."

Ainda não está claro, no entanto, o tamanho das vantagens que um tomador de crédito terá ao adotar práticas socioambientais responsáveis. Segundo a superintendente do Santander, os clientes que atendem a esses princípios são direcionados a linhas de crédito mais vantajosas, embora reconheça ser "muito complexo" quantificar essas vantagens.  Continuação...