ANÁLISE-Lula joga a "bóia" e salva Sarney, por enquanto
Por Natuza Nery e Fernando Exman
BRASÍLIA (Reuters) - "Fundo de poço tem mola", diz o dito proferido por políticos experimentados. O presidente do Senado, José Sarney, personifica o provérbio. Com o apoio do governo, decidiu colocar na gaveta a hipótese da renúncia, por ora.
Sarney (PMDB-AP) esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira. Disse a ele que não abre mão do controle da instituição e que deseja liderar o processo de reestruturação do Senado. Para isso, exigiu o apoio da base aliada.
Nas palavras de dois dos seus assessores, ele saiu do encontro "satisfeito". Apesar de dizer que não deixa o cargo, não suspendeu a ameaça --golpe forte à governabilidade e, por essa razão, seu trunfo.
Tudo depende agora dos desdobramentos da crise e da fidelidade de aliados.
"Se tiver que sair, ele sai. Não está apegado (ao cargo), mas não acho que isso vai acontecer", disse à Reuters a filha e governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), antes mesmo do encontro do pai com o presidente da República.
O PT transformou-se em bóia para José Sarney, jogada a pedido de Lula para salvar o aliado. Foi por intervenção do presidente que seu partido não abandonou o barco nos últimos dois dias.
"Sem o PT, não dá", afirma um auxiliar do peemedebista.
Num jantar com os senadores do PT, na noite passada, Lula foi contrário à proposta de licença temporária feita informalmente pelo líder do partido, Aloizio Mercadante (SP). Foi marcada uma reunião da bancada para terça-feira que vem para avaliar a crise e o posicionamento da bancada. Continuação...

