Peças estrangeiras não prejudicam proposta do Rafale, diz França

terça-feira, 3 de novembro de 2009 20:41 BRST
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro da Defesa francês, Hervé Morin, disse nesta terça-feira que a presença de componentes estrangeiros nos aviões Rafale não comprometerá a transferência de tecnologia ao Brasil caso a proposta da França seja a vencedora na licitação da Força Aérea Brasileira (FAB) para compra de novos caças.

Em entrevista na sede do Consulado da França no Rio de Janeiro, o ministro garantiu que esses componentes "importados" não serão um obstáculo para a proposta francesa apresentada à FAB, que considera fundamental a transferência tecnológica.

"Isso não é um problema. Todos os equipamentos do mundo têm pequenos componentes de outros países. São tijolinhos tecnológicos, pequenos detalhes. Quando se fala em transferência de tecnologia e parceria tecnológica, para nós não é problema", afirmou Morin.

A francesa Dassault, com o Rafale, a norte-americana Boeing, com o F-18 Super Hornet, e a sueca Saab, com o Gripen NG, disputam o contrato para a venda de 36 caças de multiemprego à FAB.

Além de considerar os caças franceses superiores aos da Boeing e da Saab, o ministro destacou a boa relação política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a afinidade de ambos os países nas discussões internacionais.

"O nosso é o melhor avião. Nós temos todo o conjunto. Temos uma parceria política, propomos uma parceria industrial e tecnológica e é melhor quando você olha a capacidade operacional", disse.

Morin se reuniu nesta terça-feira com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que afirmou que a escolha da proposta vencedora vai levar em conta, além da questão política, os critérios operacional, transferência de tecnologia, capacitação industrial e preço.

"O critério político vamos analisar... (há uma pressão) muito grande dos três, do presidente Obama, Sarkozy e da administração sueca. Isso é normal. É interesse de Estado", disse Jobim.

Morin provocou o concorrente sueco ao ser questionado sobre o preço do caça francês, que seria o dobro do valor ofertado pela Saab.  Continuação...