Relator aceita ação por lavagem de dinheiro para Azeredo (PSDB)
SÃO PAULO (Reuters) - O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou nesta quinta-feira denúncia de prática de lavagem de dinheiro contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), acusado de arrecadação ilegal de recursos na campanha para a sua reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998.
Na véspera, o ministro já havia acatado acusação de prática de peculato (uso de cargo público em benefício próprio), recomendando abertura de ação penal contra o acusado.
Após a leitura do relatório, com duração de dois dias, o julgamento foi suspenso por um pedido de vista feito pelo ministro José Antonio Dias Toffoli.
Ele justificou que a única prova física dos crimes seria um recibo de 4,5 milhões de reais, supostamente assinado por Azeredo cuja autenticidade é questionada pela defesa do senador. O pedido deve adiar em aproximadamente 20 dias a decisão do tribunal sobre a abertura de ação contra Azeredo.
Para o relator, há "inúmeros indícios" e "situações fáticas" que permitiriam ao STF a instalação de processo criminal.
"Recebo a denúncia contra o acusado, também por ele ter o crime de lavagem de dinheiro, a exemplo do que eu já fizera na sessão anterior em que recebia pelo crime de peculato", disse Barbosa ao proferir seu voto.
Quanto ao recibo, Barbosa declarou que o documento "é mencionado na denúncia". "Não faço juízo de valor. Limito-me a reproduzir o que consta dos autos."
O próprio Azeredo saiu em sua defesa e afirmou à imprensa nesta quinta-feira que o recibo é falso, dizendo que não há comprovação de que seja autêntico.
Segundo a defesa do parlamentar, o inquérito não traz indicadores concretos de que Azeredo tenha participado da arrecadação de recursos para a campanha à reeleição, em que saiu derrotado para Itamar Franco. Continuação...

