ANÁLISE-Especialistas temem que pré-sal suje matriz energética
Por Marcelo Teixeira
SÃO PAULO (Reuters) - As grandes descobertas de petróleo do pré-sal brasileiro, apesar de serem uma reserva de riqueza para o país, ameaçam reduzir a importância de fontes limpas de energia, entre elas os biocombustíveis, disseram especialistas.
Uma eventual grande oferta de produtos derivados do petróleo no mercado brasileiro quando os grandes projetos de produção e refino de petróleo estiverem implantados poderia reduzir a competitividade de alternativas energéticas como etanol, biodiesel e a geração por biomassa.
Essa possibilidade alimenta o debate sobre uma eventual mudança na matriz energética brasileira, com aumento da fatia de não-renováveis.
Membros do governo já se manifestaram contrários a políticas adotadas no passado por alguns países petroleiros que se mostraram negativas para a economia, como a oferta de gasolina barata e o excessivo foco em apenas um setor --o de petróleo--, negligenciando outras áreas. Mas condições do mercado podem alterar essa posição.
"Eu acho que tem que tomar cuidado para que o pré-sal não faça com que a matriz energética brasileira tome uma rota suja", disse Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura.
"O país não pode sucumbir à tentação populista de subsidiar os produtos derivados e levar a um aumento do uso de petróleo. Tem que ter cuidado para não inviabilizar coisas como o etanol, que é uma conquista do país", acrescentou.
Da oferta total de energia no Brasil em 2008, 36 por cento foi renovável e 64 por cento não-renovável, de acordo com estatísticas da British Petroleum.
Em comparação, no grupo de 30 países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), formado por países industrialmente avançados, 94,8 por cento da oferta total de energia no ano passado foi não-renovável e apenas 5,2 por cento renovável. Continuação...

