ENTREVISTA-MST vê ocupação com Dilma e tensão no campo com Serra

sexta-feira, 9 de julho de 2010 15:40 BRT
 

Por Natuza Nery

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil viverá um aumento das ocupações de terra se a petista Dilma Rousseff vencer as eleições e um crescimento da violência no campo caso o tucano José Serra seja o escolhido.

O diagnóstico é do economista marxista João Pedro Stédile, fundador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), maior organização social do país.

Ele explica que a intensificação de atos num eventual governo do PT ocorre justamente pelas afinidades históricas entre os dois grupos.

"Um operário, diante de um patrão reacionário, não se mobiliza. Com Dilma, nossa base social perceberá que vale a pena se mobilizar, que poderemos avançar, fazendo mais ocupações e mais greves", disse ele em entrevista à Reuters, a primeira desde o início do processo eleitoral.

"Se o Serra ganhar, será a hegemonia total do agronegócio. Será o pior dos mundos. Haverá mais repressão e, por isso, tensão maior no campo...A vitória dele é a derrota dos movimentos sociais", acrescentou.

Por essa razão, a opção "majoritária" do movimento é apoiar a ex-ministra--mesmo que, nos últimos anos, justamente num governo considerado amigo, o MST tenha se enfraquecido e chegado à conclusão de que "o agronegócio venceu".

"Lula não fez reforma agrária, mas uma política de assentamento...Metade dos números do governo é propaganda", afirma Stédile.

Segundo dados oficiais, quase 1 milhão de famílias foram instaladas nos últimos sete anos em terras cedidas pela União ou compradas do setor privado pelo valor de mercado.   Continuação...

 
<p>L&iacute;der do MST, Jo&atilde;o Paulo St&eacute;dile, fala com a m&iacute;dia no Rio de Janeiro em 2005. St&eacute;dile disse que o Brasil viver&aacute; um aumento das ocupa&ccedil;&otilde;es de terra se a petista Dilma Rousseff vencer as elei&ccedil;&otilde;es e um crescimento da viol&ecirc;ncia no campo caso o tucano Jos&eacute; Serra seja o escolhido. 28/04/2005 REUTERS/Sergio Moraes/Arquivo</p>