Dilma deve usar discurso "direto" para ajustar relação com China

sexta-feira, 8 de abril de 2011 18:23 BRT
 

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff desembarca em Pequim na segunda-feira, seu maior desafio até agora no terreno internacional, onde deve usar um discurso "direto" para tentar equilibrar as relações bilaterais entre China e Brasil, com maior foco na questão comercial.

Disposta a fazer ajustes relevantes na parceria estratégica entre os dois países, que data da década de 1970, ela usará um discurso "direto e franco" nos encontros bilaterais que manterá com o presidente chinês, Hu Jintao, e com o primeiro-ministro Wen Jiabao --nas palavras de um assessor do Palácio do Planalto que pediu anonimato,.

Assim como fez diante do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a presidente vai citar topicamente as áreas estratégicas que interessam ao Brasil e, com isso, tentar direcionar os volumosos investimentos chineses que aportam no país.

Esse tom mais franco e uma diplomacia "de resultados" diferente do "personalismo", que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva imprimia nos encontros com chefes de Estado, pode ter mais efeito com os chineses, na avaliação do professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Argemiro Procópio.

"Com a Dilma não acho que o Brasil vai ser uma onça que mia como um gato. Vai ser uma onça que vai rugir como uma onça", afirmou o professor, autor de três livros sobre as relações comerciais Brasil-China.

Mas não bastará o estilo de Dilma para dobrar os chineses, porque o país vive numa conjuntura em que precisa fazer poucas concessões para seguir seu projeto de desenvolvimento.

Contudo, na avaliação do Itamaraty, esse é um momento oportuno para abrir o diálogo e pressionar a China a direcionar parte dos investimentos dos asiáticos no Brasil.

A embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis, responsável pela preparação da viagem no Ministério de Relações Exteriores, argumenta que as diferenças que existem entre os dois países decorrem de um crescimento muito rápido e desordenado na área comercial e "quando isso acontece é natural que surjam divergências".   Continuação...