8 de Abril de 2011 / às 21:28 / 6 anos atrás

Dilma deve usar discurso "direto" para ajustar relação com China

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff desembarca em Pequim na segunda-feira, seu maior desafio até agora no terreno internacional, onde deve usar um discurso "direto" para tentar equilibrar as relações bilaterais entre China e Brasil, com maior foco na questão comercial.

Disposta a fazer ajustes relevantes na parceria estratégica entre os dois países, que data da década de 1970, ela usará um discurso "direto e franco" nos encontros bilaterais que manterá com o presidente chinês, Hu Jintao, e com o primeiro-ministro Wen Jiabao --nas palavras de um assessor do Palácio do Planalto que pediu anonimato,.

Assim como fez diante do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a presidente vai citar topicamente as áreas estratégicas que interessam ao Brasil e, com isso, tentar direcionar os volumosos investimentos chineses que aportam no país.

Esse tom mais franco e uma diplomacia "de resultados" diferente do "personalismo", que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva imprimia nos encontros com chefes de Estado, pode ter mais efeito com os chineses, na avaliação do professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Argemiro Procópio.

"Com a Dilma não acho que o Brasil vai ser uma onça que mia como um gato. Vai ser uma onça que vai rugir como uma onça", afirmou o professor, autor de três livros sobre as relações comerciais Brasil-China.

Mas não bastará o estilo de Dilma para dobrar os chineses, porque o país vive numa conjuntura em que precisa fazer poucas concessões para seguir seu projeto de desenvolvimento.

Contudo, na avaliação do Itamaraty, esse é um momento oportuno para abrir o diálogo e pressionar a China a direcionar parte dos investimentos dos asiáticos no Brasil.

A embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis, responsável pela preparação da viagem no Ministério de Relações Exteriores, argumenta que as diferenças que existem entre os dois países decorrem de um crescimento muito rápido e desordenado na área comercial e "quando isso acontece é natural que surjam divergências".

Agora, segundo ela, o momento é de encaminhar as soluções. Engana-se, no entanto, quem pensa que Dilma dará algum tipo de ultimato aos chineses para equilibrar a pauta da corrente de comércio, segundo a embaixadora.

Ela deve usar a mesma franqueza que adotou ao lado de Obama para contestar a política monetária chinesa. O Brasil discorda da política cambial da China, acusando-a de manipular o câmbio para favorecer os seus exportadores e Dilma abordará o tema na reunião privada com Hu Jintao.

CONSELHO DE SEGURANçA

Apesar dos negócios serem o foco principal da viagem de Dilma à China, ela pretende conversar com o presidente chinês e com premiê Wen Jiabao sobre a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

A diplomacia brasileira não espera receber um apoio formal à sua intenção. Diferente dos Estados Unidos, que resistem a apoiar abertamente a mudança para não criar novas resistências à sua política externa, a China não quer a reforma porque um dos beneficiados seria o Japão.

Os japoneses, ao lado do Brasil, da Alemanha e da Índia são os principais defensores de uma reforma no Conselho na ONU que amplie o número de países com assento permanente.

Se não estão na mesma trincheira nesse aspecto da política multilateral, Brasil e China falam a mesma língua quando a negociação envolve a coordenação de posições conjuntas dentro do Brics.

Aliás, o grupo que também reúnem Índia e Rússia será ampliado na reunião de cúpula em Sanya. Será o terceiro encontro dos chefes de Estado desses países e nele será formalizado o ingresso da África do Sul no time.

A embaixadora contou que o grupo pretende consolidar sua agenda comum nas discussões do G20 e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Após a cúpula, estão previstas reuniões bilaterais de Dilma com os chefes de Estado da Rússia e da Índia.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below