ANÁLISE-Alegações sobre Palocci são teste para Dilma

quarta-feira, 18 de maio de 2011 17:18 BRT
 

Por Stuart Grudgings

BRASÍLIA (Reuters) - As revelações de um aumento significativo no patrimônio pessoal do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, parecem ter pouca munição para tirá-lo do cargo, mas podem se transformar em uma grande dor de cabeça para a presidente Dilma Rousseff.

Embora não existam provas de que Antonio Palocci tenha cometido algum delito, ele é o ministro mais importante a ter sido atingido por um escândalo desde a posse de Dilma, em 1o de janeiro.

Parlamentares da oposição buscam com afinco obter explicações sobre o crescimento do patrimônio do ministro, fato que veio à tona em reportagem publicada no domingo pelo jornal Folha de S. Paulo. Segundo o jornal, o patrimônio do favorito de Wall Street e figura-chave das políticas econômicas do governo Dilma Rousseff aumentou 20 vezes desde 2006.

A reportagem não alegou nenhum delito por parte do ministro, que afirma que o dinheiro foi ganho legitimamente por meio da empresa de consultoria econômico-financeira Projeto, que ele comandou enquanto era deputado federal, entre 2006 e 2010. Mas motivou movimentos da oposição para que Palocci -- que abandonou o cargo de ministro da Fazenda no início de 2006 em função de um escândalo distinto -- divulgue todas as informações sobre os clientes da consultoria, para comprovar que não usou a empresa para fazer uso de sua influência.

As alegações existentes até o momento não parecem ser suficientemente contundentes para enfraquecê-lo de maneira grave, nem lhe custar seu cargo, mas o mercado financeiro pode ter os ânimos abalados se surgirem provas de alguma irregularidade financeira.

Palocci, de 50 anos, é visto como a voz mais forte da ortodoxia econômica no governo Dilma e defensor de uma política monetária e fiscal mais rígida para frear a pressão inflacionária que vem ameaçando a economia do país este ano.

"Eles terão que trazer mais sujeira à tona. A sujeira que encontraram não é tão ruim assim", disse o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB).

Mesmo que as acusações não dêem em nada, representam um retorno indesejável do cheiro de escândalo que cercou Palocci desde sua saída do governo anterior do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.   Continuação...