Perillo tentará provar à CPI que não negociou com Cachoeira
Por Jeferson Ribeiro
BRASÍLIA, 11 Jun (Reuters) - O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), vai tentar provar à CPI do Cachoeira na terça-feira, num dos depoimentos mais aguardados pela comissão desde abril, que não fez negócios com o empresário Carlinhos Cachoeira, preso há mais de três meses acusado de chefiar uma rede de jogos ilegais.
O depoimento do tucano também deve aumentar a intensidade do embate entre PT e PSDB na comissão, já que nas últimas semanas a CPI mista têm aprofundado suas investigações sobre a venda de um imóvel de Perillo no condomínio Alphaville, em Goiânia, numa estratégia traçada pelo relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), e por petistas para encurralar o goiano.
Numa reunião na tarde desta segunda-feira, a bancada do PT que integra a comissão se reuniu e definiu que focará sua atuação em perguntas que possam revelar a relação do governador do PSDB com Cachoeira.
A CPI mista foi criada justamente para investigar as relações de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com agentes públicos e privados. Esse é o segundo político de destaque ouvido pela CPI. O primeiro foi o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), que se manteve calado e enfrenta processo no Conselho de Ética do Senado e pode ser cassado por manter estreita relação com o empresário.
"Nós vamos manter nosso foco na organização criminosa (de Cachoeira). O Perillo tem que explicar o que já saiu contra ele. A cota de indicações (dele) no governo de Goiás, a venda da casa, o controle que o Cachoeira exercia no Detran. Essas acusações que a Polícia Federal fez", disse o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) à Reuters.
Mas Perillo está há dias preparando explicações para todas essas questões, segundo um aliado tucano que pediu para não ter seu nome revelado.
O governador levará à CPI cópias dos cheques que recebeu pelo imóvel e comprovantes bancários mostrando que eles foram depositados e compensados na sua conta. Além de comprovar sua tese sobre como se deu o negócio, a estratégia também serve para se antecipar a um pedido do relator para quebrar o sigilo bancário, fiscal e telefônico do tucano.
Perillo vai contradizer ainda a versão apresentada na semana passada pelo empresário goiano Walter Paulo Santiago, que afirmou na CPI que comprou o imóvel do governador por 1,4 milhão de reais e pagou em dinheiro vivo, por intermédio do ex-vereador do PSDB, Wladimir Garcez. Continuação...

