Gestão do Brasil contra sanção econômica ao Paraguai se formaliza
Por Ana Flor
MENDOZA, Argentina, 29 Jun (Reuters) - A intervenção da presidente Dilma Rousseff para resolver as relações com o Paraguai depois do impeachment de Fernando Lugo, na primeira grande crise regional que teve de enfrentar, foi considerada bem-sucedida por integrantes da comitiva brasileira, apesar de as gestões do Mercosul e Unasul não terem feito o Paraguai recuar da decisão de destituir Lugo.
A presidente se preocupou nos últimos dias, segundo fontes do governo, em estabelecer uma posição equilibrada do país, mas sem abrir caminho para que o Brasil parecesse complacente com iniciativas futuras semelhantes de outras nações. Precisava parecer dura a ponto de não abrir precedentes, mas queria evitar o radicalismo de vozes que defendiam sanções econômicas ao Paraguai.
O Brasil, segundo fontes, focou sua atuação em garantir que não haveria sanções que "penalizassem o povo paraguaio" e defendeu que as punições ficassem no âmbito político.
Sobre a decisão de não estabelecer sanções econômicas, o Brasil trabalhou, desde a última semana, para convencer os vizinhos da necessidade de apenas bloquear o Paraguai das decisões e reuniões do Mercosul e Unasul. Apesar de não ter se manifestado até quinta-feira, a Argentina era vista como o maior defensor de medidas mais duras.
O impeachment de Lugo foi aprovado pelo Congresso do país em menos de dois dias sob alegação de má gestão após um conflito de retomada de posse deixar 17 mortos em uma região remota do país. No mesmo dia, o vice-presidente Federico Franco foi empossado na Presidência. O processo foi considerado pelos países vizinhos como uma quebra da democracia.
Ao lado do Brasil, o Uruguai defendia uma ação mais branda, mesmo sabendo que isso não faria o Paraguai mudar de posição. Segundo uma fonte brasileira que participou das reuniões, os países acabaram desistindo de pressionar o Paraguai a antecipar as eleições.
Reunidos na cidade de Mendoza, na Argentina, chefes de Estado do Mercosul ratificaram a decisão de suspender os direitos políticos do Paraguai no bloco em represália à destituição de Lugo. O país, que não será alvo de sanções comerciais, não poderá ser reintegrado ao grupo até que realizem eleições, previstas para abril de 2013.
A decisão abriu caminho para que Brasil, Argentina e Uruguai definissem a entrada da Venezuela no bloco, ao que o Congresso do Paraguai se opunha. Continuação...

