Defesa nega participação de ex-ministro em compra de votos

terça-feira, 14 de agosto de 2012 20:37 BRT
 

BRASÍLIA, 14 Ago (Reuters) - A defesa do ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto negou nesta terça-feira, em julgamento da ação penal sobre o chamado mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), que ele tenha participado de esquema de compra de votos e afirmou que os telefonemas do réu a um deputado federal do PTB seriam sobre dívidas de campanha.

Atual prefeito de Uberaba (MG), Adauto, que à época do escândalo era do PL (atual PT) e hoje está no PMDB, é acusado de corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Ele teria recebido, entre 2003 e 2004, 950 mil reais do publicitário Marcos Valério, apontado como principal operador do suposto esquema. O chefe de gabinete do ex-ministro, José Luiz Alves, teria intermediado os pagamentos.

A denúncia apontou ainda a existência de indícios de que o ex-ministro ofereceu vantagem indevida a congressistas para que votassem a favor de projetos de interesse do governo. Ele teria feito a ligação entre PTB e PT.

A defesa do ex-ministro reconheceu que Adauto fez diversos telefonemas ao ex-deputado federal Romeu Queiroz (PTB-MG), mas que as ligações seriam sobre pagamento de dívidas de campanha. Segundo a defesa, o Ministério Público teria usado as ligações como a principal prova da participação de Adauto no suposto esquema.

Queiroz teria relatado a Adauto dificuldades em saldar pendências eleitorais. O ex-ministro teria levado a questão ao então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, que teria se prontificado a auxiliar na quitação das dívidas.

"Delúbio Soares se prontificou a auxiliar Anderson Adauto para honrar essas dívidas. Anderson Adauto fez esse relato a Romeu Queiroz. E Romeu Queiroz (disse): 'será possível então eu conversar com Delúbio?'", disse o advogado Roberto Garcia.

"Anderson Adauto ligou para Delúbio, falou para Delúbio que Romeu Queiroz queria falar com Delúbio", disse.

Queiroz também é réu no processo e teria recebido em proveito próprio 102 mil reais via Banco Rural, segundo a denúncia.   Continuação...