ANÁLISE-Auxílio pode sufocar indústria automotiva do Brasil
Por Brad Haynes
SÃO JOSÉ DOS PINHAIS, 28 Ago (Reuters) - A Honda lançou o carro City no México, onde o modelo tem preço a partir de 16 mil dólares. O preço no Brasil: acima de 30 mil dólares.
Ainda assim, brasileiros adquiriram três vezes mais Hondas no ano passado do que em 2010, mas parece que o apetite dos consumidores estão cansando de comprar um automóvel pelo preço de dois.
Custos em alta estão ofuscando uma década de expansão do quarto maior mercado automobilístico do mundo, e ressaltam a necessidade de ações de longo praz para aumento da competitividade. Em vez disso, as montadoras locais são alvo de medidas de apoio temporário do governo que podem sufocar o crescimento durante os próximos anos.
Quando a indústria começou a dar sinais de desaceleração no ano passado, a presidente Dilma Rousseff correu em resgate, contendo importações do México e implementando uma taxação agressiva sobre carros estrangeiros.
As medidas constituem as iniciativas mais protecionistas no mercado automobilístico brasileiro desde que ele abriu-se às importações há duas décadas, e elas estão mudando a forma da indústria, com resultados mistos.
A redução direcionada do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre automóveis impulsionou as vendas de algumas montadoras, enquanto outras congelaram planos de novas fábricas. A pressão política coibiu demissões, mesmo em meio à queda da produtividade.
E analistas dizem que essas políticas não resolverão o principal problema: está ficando mais difícil fabricar um carro no Brasil a um preço com o qual brasileiros consigam arcar.
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