Câmara não vota MP do Código Florestal, que pode perder validade
Por Maria Carolina Marcello e Jeferson Ribeiro
BRASÍLIA, 5 Set (Reuters) - A Câmara dos Deputados concluiu nesta quarta-feira mais uma semana de esforço concentrado sem votar a medida provisória do Código Florestal, que corre risco de perder a validade nas próximas semanas, caso a bancada ruralista e o governo não consigam construir um acordo, o que até agora parece improvável.
Para votar o texto da MP, os ruralistas querem que a presidente Dilma Rousseff assuma o compromisso de não vetar nenhum dos artigos aprovados pelo Congresso. O governo rejeita qualquer entendimento nesses termos.
O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), usou a disputa do Campeonato Brasileiro para ilustrar a dificuldade para construção de um acordo.
"É mais fácil o Grêmio se tornar líder do Brasileirão hoje (quarta) do que sair esse acordo", disse Maia. Para assumir a liderança da competição, o Grêmio precisa vencer o Atlético-GO nesta quarta e torcer para que Atlético-MG e Fluminense percam seus jogos nesta rodada.
O líder da bancada do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), deixou o plenário da Câmara, antes da sessão ser encerrada por falta de quórum, dizendo que não havia possibilidade de fechar acordo sem negociar com a presidente. Como Dilma não estava em Brasília -viajou a São Paulo para reunir-se com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva-, não seria possível integrá-la nas negociações, segundo o deputado.
O governo tentou até o início da sessão deliberativa desta tarde colocar o texto da medida provisória em votação, mas vários partidos, inclusive da base aliada, obstruíram o processo de votação por falta de um acordo entre ruralistas e governo.
"Ela (a MP) está para ser votada, e nós temos a posição do governo dada pela presidente Dilma. Ela declarou publicamente que o governo sempre estará aberto às negociações, mas não tem compromisso com resoluções que o governo não tenha sido consultado", disse o líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), a jornalistas.
"Nós vamos a plenário para defendermos a medida provisória 571 (do código) naquilo que ela tem no seu original", acrescentou, pouco antes da sessão do plenário ser encerrada. Continuação...

