Mesmo de má vontade, pode sobrar para PT apoiar PSB em Recife

sexta-feira, 28 de setembro de 2012 14:58 BRT
 

Por Eduardo Simões e Maria Carolina Marcello

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 28 Set (Reuters) - Com sério risco de naufragar na tentativa de seguir no comando da prefeitura de Recife já no primeiro turno, o PT pode se ver obrigado a apoiar o PSB na segunda rodada da disputa pela capital pernambucana, meses após a ruptura da aliança entre as duas siglas, que levou ao lançamento da candidatura socialista.

Embora um alinhamento dos petistas com o PSB seja apontado como natural, especialmente no cenário atual em que um candidato do PSDB ocupa a vice-liderança nas pesquisas, o trauma da ruptura entre os tradicionais aliados na cidade deve reduzir o entusiasmo do PT no apoio ao atual líder de intenções de voto, Geraldo Julio (PSB).

A candidatura de Julio, que pela primeira vez disputa uma eleição, nasceu da decisão dos socialistas, capitaneados pelo governador pernambucano, Eduardo Campos, de romper a histórica aliança na cidade, após brigas internas do PT levarem à intervenção da Executiva Nacional na cidade e à imposição da candidatura do senador Humberto Costa (PT).

O cisma interno do PT recifense, além da má avaliação do atual prefeito, João da Costa (PT), permitiram que Julio assumisse a liderança nas pesquisas e também colaboraram para a ascensão do nome do deputado estadual tucano Daniel Coelho.

"A falta de coesão do PT é, de certo modo, responsável pela queda do Humberto Costa... (Além disso), prefeitos mal avaliados podem contaminar o indicado de seu partido", argumentou a cientista política Helcimara de Souza Telles, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira mostra Julio com 42 por cento das intenções de voto, à frente de Coelho, com 22 por cento, e de Humberto Costa com 17 por cento. Apesar da vantagem numérica do candidato do PSDB, como a pesquisa tem margem de erro de 3 pontos percentuais, os dois estão em empate técnico.

Mas o ressentimento deixado entre petistas por conta da decisão do PSB de romper a aliança municipal deve dificultar um empenho efetivo de membros do PT em favor da campanha de Julio para derrotar Coelho.

"A tendência é que eles (PT) apoiem formalmente (Geraldo Julio no segundo turno), mas não farão muita força", disse à Reuters um integrante da campanha socialista na cidade, sob condição de anonimato.   Continuação...