PT e PSB querem evitar que disputa em Fortaleza azede aliança nacional
Por Jeferson Ribeiro
BRASÍLIA, 18 Out (Reuters) - Dirigentes de PT e PSB têm se esforçado para evitar que as disputas municipais contaminem a aliança nacional entre os dois partidos, mas em Fortaleza esse esforço precisa ser redobrado, diante do acirramento dos ataques entre Elmano de Freitas e Roberto Cláudio, embolados no segundo turno.
Além de Fortaleza, PT e PSB se enfrentam diretamente no segundo turno em Campinas (SP) e Cuiabá (MT), mas essas disputas têm peso menor se comparadas à capital cearense, onde o governador socialista Cid Gomes se esforçou para montar já no primeiro turno uma aliança de 13 partidos, incluindo o PMDB, com o PSB do candidato Roberto Cláudio.
E para o segundo turno Cláudio conseguiu ainda o apoio do DEM e do PDT, cujos candidatos tiveram somados mais de 34 por cento dos votos válidos no último dia 7.
Das sete cidades que o PSB disputa o segundo turno, Fortaleza é considerada pelo partido a jóia da coroa.
Já Elmano de Freitas, escolhido pela prefeita petista Luizianne Lins para sucedê-la, tem apenas quatro partidos com o PT na sua aliança, mas acredita que o eleitorado não se alinhará diretamente ao adversários depois do apoio formal de PDT e DEM à candidatura do PSB.
Para o vice-presidente nacional do PT, deputado federal José Guimarães, "se uniram todos contra o PT" e este cenário de isolamento faz Freitas argumentar que sua disputa não é contra o aliado histórico, mas contra um grupo político comandado pelo governador.
"Estou enfrentando o grupo político que domina o PSB do Ceará, que é dominado pela família Gomes Ferreira, que é diferente do PSB nacional", disse Freitas à Reuters, referindo-se ao governador e seu irmão, Ciro Gomes, que foi ministro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Esse argumento é desqualificado pelo governador, que atribui o apoio da maioria dos partidos ao seu candidato à gestão do PT na capital cearense, que ele classifica como "um desastre". Continuação...

