Governo admite falha em estratégia de votação de royalties, diz fonte
Por Jeferson Ribeiro
BRASÍLIA, 7 Nov (Reuters) - O governo falhou na estratégia de votação da nova proposta de divisão dos royalties de exploração de petróleo na Câmara na terça-feira, ao não prever a possibilidade do plenário retomar o texto aprovado ano passado pelo Senado, segundo a avaliação de uma fonte do Executivo.
A mudança do texto resultou em uma derrota dupla para o governo. A expectativa era que fosse votada a proposta do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), que na última hora foi preterida pelo texto aprovado no Senado há um ano.
O governo também entende que houve falta de coesão da base aliada, que preferiu votar de acordo com os interesses estaduais, e que faltou empenho dos líderes partidários na votação, disse a fonte que preferiu não ter seu nome revelado.
O governo já contabilizava que pelo menos um dos seus posicionamentos seria derrotado: o de evitar que os parlamentares modificassem a divisão dos royalties dos campos de petróleo já contratados.
A presidente Dilma Rousseff já havia sido informada, segundo a fonte, que o governo não teria votos para impedir a mudança e atender o acordo político firmado entre a presidente e os governadores dos Estados produtores (Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo).
Mas o Planalto não contava com a derrota da segunda exigência feita nos últimos dias por intermédio do ministro da Educação, Aloizio Mercadante: destinar todos os recursos de royalties para investimentos em educação.
"A derrota no cálculo da distribuição estava na nossa conta. Mas a da vinculação dos recursos na educação não", analisou a fonte nesta quarta.
Para garantir ao menos a destinação dos recursos para a educação, o governo conseguiu convencer Zarattini, relator do projeto na Câmara, a carimbar esses recursos para a educação, apesar de saber, segundo a fonte, que seria difícil obter maioria em meio ao desejo dos prefeitos de conseguir mais recursos para aplicar em outras áreas. Continuação...

